terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Misoginia


Sobre o chacina em Campinas, SP, que vitimou 10 pessoas, eu deixo essa thread catada no Twitter: 

Muito Hippie @Keshi

Vou deixar um recado pras mulheres que dizem não ser feministas:
Cada uma de nós vai ser SEMPRE a "vadia sem coração" da vida de alguém.

Pq na cabeça do misógino a "vadia" não é a mulher que tem o comportamento X ou Y, e sim a que não faz o que ele quer.

A partir do momento que vc nega alguma coisa, qualquer coisa, a um misógino, vc passa de "amor da vida" a "vadia desgraçada" em 0.1 segundo.

Então, MUITO CUIDADO na hora de relativizar o assassinato em massa de mulheres dizendo que o cara se sentiu oprimido pelo feminismo.

E levando em consideração a banalidade da misoginia eu não estou exagerando na hora de dizer que a próxima pode ser qualquer uma de nós.

Mas é muito importante que TODAS SAIBAMOS que, feministas ou não, somos TODAS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA MISÓGINA. E precisamos de luta.

EU ME RECUSO A ACREDITAR QUE TEM GENTE NAS MINHAS MENTIONS FALANDO QUE O ASSASSINO FOI _VÍTIMA_ DE ALIENAÇÃO PARENTAL.

UM PAIZÃO, REALMENTE, O DESGRAÇADO QUE INVADE UMA FESTA E MATA O FILHO DE 10 ANOS.
QUE FIGURA PATERNA FORMIDÁVEL.

QUASE NÃO TINHA MOTIVO PRA AFASTAR A CRIANÇA DE UM MISERÁVEL DESSES, IMAGINA SÓ, UM CARA CAPAZ DE MATAR 12 PESSOAS.

E o post do Jean:

"A CHACINA DE CAMPINAS, O MACHISMO E OS DISCURSOS DE ÓDIO 

  • Na noite de ano novo, em Campinas, Sidnei Rames de Araujo, tomado por um sentimento de ódio que especificamente só incide sobre as mulheres, assassinou brutalmente a sua ex-esposa, o próprio filho e mais 10 pessoas, além de si mesmo, porque não aceitava o fim do relacionamento. Ele executou a tiros toda a família que se reunira para celebrar a passagem de ano. Na carta, deixada por ele para explicar os "motivos" que teria, em vez de revelar as motivações pessoais do ato, Sidnei reproduziu uma série de discursos de ódio e intolerância presentes no debate político e nas redes sociais, em que a agenda política progressista, em defesa das mulheres e dos direitos humanos de minorias é questionada com "argumentos" toscos e com uma retórica que beira o fascismo. No texto, apenas a palavra "vadia" aparece 12 vezes, escrita reiteradamente nos poucos parágrafos da carta, inclusive substituindo o nome da Lei Maria da Penha, ironizada por ele.

  • O Brasil precisa de um debate social e uma mobilização política urgente, como já está acontecendo em outros países da região, para combater as causas dos feminicídios, um crime já tipificado no nosso código penal desde 2015. Não podemos seguir fazendo de conta, em cada novo caso, que se tratou apenas de alguém que, magicamente, teve essas ideias delirantes expressas numa carta. Não são casos isolados, mas um problema cultural grave, que se relaciona, também, com esses discursos socialmente aceitos e acabam em violência física, fazendo com que o Brasil seja campeão de violência cometida contra as mulheres — violência que é cometida inclusive na própria família ou por parceiros sexuais e afetivos.

    O que fazer quando as serpentes saem da casca do ovo, quando o discurso que sustenta seu crime aparece em artigos de sites apócrifos nunca investigados pelas pelas polícias (embora sejam evidentes os indícios de seus autores), quando esse discurso está na boca de alguns políticos ou de "analistas" ignorantes na TV e no rádio? Ninguém dessa gente deveria abrir a boca para se dizer chocada com essa chacina! Hipócritas! (+ nos comentários) (...)"

(Foto: Ato contra cultura do estupro no Rio - Tomaz Silvas/Agência Brasil)



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