domingo, 11 de dezembro de 2016

E que tudo mais va para o inferno!


Eu nunca gostei de você, Mrs. The One That Thinks Than 4G Network Stands for God-Guns-Gitmo-Glory. Desde o primeiro dia, na minha outra casa, quando você foi apresentada a mim. Você é rasa, burra, covarde. No dia de seu casamento os sinais do quanto você é detestável já estavam bem claros. Aquela parte em que o padre pergunta quem dava permissão para aquela mulher contrair matrimônio. Lembra? Seu pai te conduziu ao altar e entregou tua mão ao teu noivo dizendo que, sim, ele estava te entregando em matrimônio. Gross! A tradição, certo? Você ama a tradição. Foi tradicionalíssimo você chamar Tamir Rice, um garoto de 12 anos assassinado em um parque pela polícia, de thug. Você, branca escrotíssima, dizendo que o garoto estava no lugar errado, que se ele estivesse fazendo a coisa certa, ainda estaria vivo. E o tanto de outros e outras, pretos e pardos, que foram assassinados pela polícia e que você os chamou dos piores nomes nas redes sociais. Dava para sentir que você tinha e tem orgasmos ao mostrar a essa gente preta e morena onde é o lugar deles na sociedade americana. Que pena que você não pode xingar o presidente Obama com a N word. Você deve ter muitas saudades dessa "tradição". Eu ainda me impressiono com uma mula como você, que não sabe diferenciar It is de Its, tenha um emprego. Voce, que envia cartoes de Natal, em que o sobrenome de sua familia vem com apostrofo. Why so "possessive"? Como pode ter se formado na universidade? Eu sei que você fez um curso mixuruca em marketing but still...

Eu tentei relevar o fato de você, Mrs. The One With Daddy Issues, se gabar de não ler um livro desde a escola secundária -- Pessoalmente, eu teria muita vergonha de perguntar a uma brasileira morando nos EUA, onde fica o Brasil -- Eu tentei relevar o fato de que tua ideia de moda é comprar bolsas falsas da Coach. Eu tentei relevar o fato de você ser casada com um trouxa pegajoso, detestá-lo e falar mal dele o tempo todo em nossas conversas. Mas daí você resolveu dar indiretas que se alguém não está feliz neste país, que vá embora. Embora para onde, sua idiota? Eu tenho dupla cidadania. Eu não vou embora para canto nenhum. E isso se chama privilégio. Eu conheço os meus. Mas não adianta explicar um conceito desses para uma acéfala como você. Viva tua vida miserável, com tua cara pixelada nas redes sociais e seu bronzeado artificial cor de cenoura, bem longe de mim. 

Eu nunca gostei de você, Mrs. The One With Two Brain Cells.  Me disseram que você tem bom coração, que teu pai é extremamente racista. Mas não você. Somente teu pai. Aquele que, numa conversa em tua casa, me disse que os negros não são muito inteligentes. Aquele que, quando meu filho estava procurando o calção para entrar na piscina, ele berrou de lá que isso não deveria ser uma issue para o menino já que ele é brasileiro. Sempre com os comentários de duplo sentido. Sempre apontando o quão "sujos" e heaten são os brasileiros. Ou qualquer um que não seja anglo-saxão. No entanto, você é racista. Você tem funcionários imigrantes que são explorados lindamente. Mão de obra barata, né? Você não os olha na cara, apenas dá tuas ordens e abre o bocão, exaltada, que todos que vem aos EUA devem aprender inglês. Fale isso para uma abuela que mora em Chicago ou Nova Iorque. Fale! Eu quero ver você fazer esse tipo de comentário em um more diverse environment. Você não sabe inglês. Você é uma analfabeta funcional. Faça um curso de recursos humanos urgente. E pare de se referir aos teus funcionários com a palavra Beaners (os comedores de feijao). É racista, sabe? Assim como aquela palavrinha começada com N para se referir aos negros e Spics para se referir aos Latinos. Ou towel head para se referir aos Siks ou muçulmanos. Você não tem bom coração. Você é somente uma umbiguista cretina que só pensa em fazer filhos e que tem medo de que tua sobrinha seja lésbica por ela gostar de brincar com carrinhos. Você não tem bom coração. Você tem uma barriga explodindo com outro bebê dentro que te faz ficar mais insuportável do que já é, pois você, grávida, não pode encher a cara de cerveja. 

Eu detesto todos vocês. Detesto tuas casas enormes e teus casamentos falidos. Detesto o quanto vocês são fixados em fazer filhos e tratá-los como um estorvo. Detesto principalmente você, Mrs. The One With The Greedy Face, que bate nos teus filhos tão pequeninos, tão frágeis. Eu soube esses dias que vocês têm uma nova estratégia para educar tuas crianças: vocês não as surram mais. Apenas, discretamente, as beliscam. Mas vocês devem saber o que estão fazendo, já que vocês seguem a bíblia. Fazem questão de alardear o quanto são  cristãos. É muito cristão surrar, bater, beliscar, humilhar e gritar o tempo todo com teus filhos. 

Detesto você, Mrs. The One That Cannot Stop Flirting. Você se porta como garotinha quando vê um homem. Da gritinhos histéricos ao encontrar com gente da tua mesma fauna. Vocês que frequentam o mesmo salão de beleza. Usam o mesmo corte de cabelo. Os gremilins sem personalidade. Eu tomei o Martíni mais caro do mundo ao aceitar um convite para sair com vocês. O preço foi ouvir vocês comparando o tamanho do diamante de seus aneis de casamento. 

Detesto todas vocês. Detesto aquelas que riram de mim e me chamaram de crazy lady quando eu falei sobre feminismo. Você que me chamou de hipócrita pois, feministas não usam maquiagem. Se uso maquiagem, logo eu não sou feminista. E eu fiquei tao paralisada diante da sua imbecilidade. Detesto vocês. Vocês policiaram meu corpo, meus gostos, meus gestos e desprezaram minha cultura. Vocês duvidaram que eu poderia usar o termo "latina" para me referir ao meu ethnic background pois, não falo "mexicano", certo? Ninguém melhor que vocês para me dizerem exatamente como eu devo me identificar! Vocês que me chamaram de kinky. Kinky por ter assistido e recomendado o filme "O Cisne Negro". Você disse na mesa que sempre soube que eu era kinky. God forbid alguem falar de sexo ou race relations perto de vocês. Você não sabe nada sobre mim. Vocês não sabem nem mesmo sobre vocês. Se olhem no espelho. America was never fucking great. Vocês idem! 

Eu até tentei gostar de vocês. Aceitei teus convites insonsos. Tentei rir de tuas piadas sem graça. Cozinhei para vocês. Me preocupei em encontrar o presente certo para cada um de teus filhos. Lidei aqui e ali com a rudeza família de vocês. Com o desprezo, a falta de empatia. Tentei. Nao deu. Eu detesto todos voces.


(Amiga amada, obrigada por me ouvir e me dar tips para que essa cronica acontecesse)

2 comentários:

  1. uau! que mulher detestável.
    grande personagem... peguei a maior raiva dela... rsrsrsrss
    muito bom, muito bom.
    <3

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