quinta-feira, 19 de maio de 2016

Não passará

Quando o racismo se manifesta. Quando a falta de disposição para ler, assistir, ouvir sobre a historia do Outro. De outros. Eu peguei o seriado Empire para assistir com marido. Temos encaixado um filme por semana entre a House of Cards. Decidi adicionar o seriado Empire mesmo sem termos tempo para mofarmos, deliciosamente, no sofá.

Acontece que Clint perguntou o plot do seriado enquanto passava a abertura. Aparece os atores e seus respectivos nomes. O maravilhoso Terrence Howard é o protagonista. Todos negros e sobre uma industria milionária criada por negros. E ai marido lasca que quer ver House of Cards instead.

Eu mando calar a boca e apreciar. O primeiro episódio nem tinha começado mas quando ele viu o cast na abertura...São negros. Todos negros. Portanto esse historia não vai me interessar. Não vi e não gostei. Ele não gosta de hip hop. Nem eu. Se sente incomodado com o vernáculo desenvolvido pelos negros e negros nesses anos e anos de um país chamado Estados Unidos. Eu amo sotaque do deep South. E daí que não faz diferença os meus gostos. O seriado não é sobre mim ou sobre meu marido.

Esse tipo de racismo, entendeu? De um cara branco e privilegiado resmungar que não entende o que o cara negro está falando. Que não entende o que a Beyonce está  cantando.

O seriado é muito bom. Eu torci para que fosse bom. Aquela tentativa besta de jogar na cara do meu marido que ele não queria dar uma chance para uma historia que não era sobre ele. Sobre o povo dele. Sobre o povo da cor do povo dele. O seriado nem precisava ser bom. Eu apenas queria que fosse magnifico para dizer -- Ta vendo ai o que você ia perder? Se fosse ruim e feito por e para brancos não haveria necessidade de justificar.

Americanos pensam em raça o tempo todo. Ela pauta tudo aqui. Eles pensam sobre raça mas não discutem raça.



2 comentários:

  1. te abraço, amiga.

    (não tenho palavras de sabedoria, mas tenho abraços)

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