quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aquela que não ri

Ela tinha um olhar daquelas pessoas que já perdeu a conta do quanto foi traída. A face sombria, modorrenta, crua, triste e que sabia que a vida sempre seria assim. Desde os tempos de menina não soube o que era sorrir. Levava surras de cipó fedegoso, aquele que nunca se quebra. Vivia de casa em casa, tratada como rejeito, mas que a família tem de aturar. A vida dela não a pertencia, nem o corpo, nem o corpo esguio e os olhos tristes de menina maltratada. Nunca aprendera o que era estima. Carrega até o hoje a desconfiança em tudo que vive ou vê. Não crê em palavras de amor. A culpa católica e as ameaças de surras a fizera experimentar o amor tardiamente. Nunca é tarde para se entregar? É sim. Tem disso sim.

Hoje estava me perguntando o que faz essa mulher de história tão triste e tão comum levantar-se todas as manhãs.

2 comentários:

  1. Uma saudade monstra de vc parenta.
    Bjo e queijo

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  2. Mari, meu amor, ao contrário da saudade do inexistente do danado do Ethan, a minha é bem real.

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