sábado, 5 de janeiro de 2013

Saudades


É uma sopa muito leve. É só para esquentar o coração. Inverno. Ao telefone: "Pai, fiz uma farofa tão boa. Pai, que saudades do sinhô". Faço uma lista dos temperos que dão sabor a tudo. Pimenta do reino reina absoluta. Descobri com a Perolada que usar raspar de gengibre - gengibre em pó para temperar é o céu. O sertão não alisa sua gente. Seus rios secos e suas flores de espinhos. Uma gente com o olhar meio seco. Picado de arroz com carne seca, pitomba que não mata a fome, mas faz criança feliz, panela de feijão borbulhando na trempe de pedra, carne de caça, o olho d'água. Bater feijão, secar arroz, pilar arroz, tocar os bois no engenho de cana, ouvir as conversas dos adultos ao redor do tacho de garapa, do forno de arribar farinha. Abraçar as barrigudas, espirar até ficar vermelha desfiando os capuchos das barrigudas. Matar galinha, cevar porco, debulhar milho. Será que ainda tem disso no sertão?

4 comentários:

  1. Lindo texto!
    Parabéns!
    Só fiquei confusa porque achei que vc fosse do Centro-Oeste!
    Bjs

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  2. Eu estudei em Goiânia, Adriana. Deve ser por isso a confusão. Mas o nordeste goiano tem sertão. Eu sou da divisa BA-GO. Bjs

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  3. Mas e eu não tinha visto esse texto, gente. Que amor.

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