terça-feira, 29 de maio de 2012

Coragem

Fiz uma faxina tão maravilhosa que, olha, estou sem palavras. Quase dei um biscoito para mim mesma em recompensa pelo good job! Na folga eu faxino. How sad  is that? Eu não quis sair hoje com Ethan. No feriado ele andou de barco, pescou, assistiu motocross, comeu porcarias - na compania do pai, enquanto eu trabalhava. Hoje arrumei as piscininhas no pátio. Desde cedo ele intercala puladas nas piscinas com 'mãe, cadê toalha, estou com sede, quero suco'. A gente expulsa eles da cozinha, passa pano e inexplicavelmente, eles voltam e deixam marcas no assoalho. Descobri uma brasileira bodando na loja. Batemos papo e ela não arredava pé da minha ilha. Me contou toda a história da vida dela. Com o movimento baixo, pensei, vou maquiar essa dona. Jovem, com a pele toda arrebentada de stress. Disse que não podia arrumar por dentro, mas que ia dar uma calibradinha no exterior. Ela ficou mais felizinha. Casada a 10 anos com um americano. Foram 6 anos bons, até ele começar a ignorá-la e sair para as baladinhas com as filhas adolescentes. Filhas do primeiro casamento dele. Moram bem. Vivem mal. Dormem em quartos separados. Ela faz bico de babá. A insergurança não a deixa procurar um emprego fixo. Fazer o que ela fazia no Brasil. Ela não tem dinheiro. Não sabe em que regime de casamento ela entrou. Não sabe o que vai sobrar para ela e para o filho de 7 anos, se ela resolver pedir o divórcio. Não sabe nada. Isso acontece muito por aqui. Muitas acham ofensivo pensar que o contrato pode um dia acabar. É um romantismo besta que deixa essas mulheres mais pobres. Pobres, longe do Brasil, sem emprego e a mercê de homens abusivos. Ela não é cidadã americana ainda, pois o marido não a incentivou a aprontar a papelada. Isso não é desculpa. Tem de correr atrás desse tipo de coisa. Aplicar para a cidadania. Assim, ela poderia participar de concursos públicos, ter mais chances de arrumar um emprego. Eu escutei toda a história dela pensando que poderia ser pior. Tem mulheres aqui que não falam sequer a língua. Imagine o quanto elas são dependentes do marido. Elas vivem as regras deles. E ainda perpetua por essas bandas a idéia da latina submissa. Aí eles deitam e rolam.

10 comentários:

  1. Mari, acho tão triste isso. Ela me faz pensar nas coisas que você fez sem pensar, só porque achava que era assim mesmo: falar inglês, arrumar emprego, etc. Lembro de um post teu que você contava o quanto é difícil, como é fácil ficar sentado numa cadeira aqui no Brasil e achar que você é uma dondoca. Parabéns pra você e pros muitos atos corajosos que você teve sem sentir.

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  2. Mari, posso discordar de uma coisinha? Dessa perpetuação da ideia da latina submissa. Quem quer deitar e rolar, faz isso com qualquer mulher. Acho um pouco injusto colocar mais esse peso nos ombros da moça em questão, que já leva o mundo neles. ;-)

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  3. Oi, Camila, me expressei mal, acho. Eu estava tentando falar da idéia que foi vendida para os americanos ( no geral) de que a latina lava, passa e faz comida em casa. Caladinha e numa boa. É a mesma idéia de que as asiática são submissas também e, eu vejo até em sites de casamento, que elas vão fazer tudo que o marido americano branco quer sem pestanejar. São submissas e pobres. Eu li uma discussão dessas em que o Woody Alen e mais alguns famosos eram usados como exemplos da fixação deles por asiáticas - da idéia da docilidade, da obediência.

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    1. Mari, eu nao sei onde a Camila mora, mas pela minha experiencia voce nao se expressou mal nao. A esposa latina/asiatica eh um sonho de consumo pro americano-filho-da-puta cansado de mulher independente e/ou mandona. Essas meninas se submetem a tudo sem saber falar a lingua, nao tem voz pra pedir que alguem faca uma traducao do documento que assinam pra casar, nao sabem nem o que e um contrato pre-nupcial. Cozinham, passam, lavam, limpam a casa do cara, criam os filhos deles porque foram educadas pra isso. Nao eh gente do mato nao, eh gente da cidade mesmo. Os caras, eles existem em qualquer lugar, mas aqui eh dificil encontrar uma assim, pra deitar e rolar. E a mulher latina ainda eh criada pra ser boa esposa, mesmo que essa ideia nos embrulhe o estomago, ainda eh verdade.
      Uma que eu conheco, anos depois, veio a saber que tudo a que ela tinha direito era uma passagem de volta pro Brasil.
      Outra amiga minha tem tres filhos com o cabra, nunca trabalhou, foi tentar se divorciar e a advogada disse a ela que ela ficaria com uma mao na frente e outra atras e esses tres filhos pra criar. Ela tomou um pavor de separar que nao faz sentido, aqui quem fica pobre eh o cara porque ele tem que dar percentagem de acordo com o numero de filhos, mas ela nao foi bem orientada.
      A coisa eh feia, bem feia mesmo. Meu contrato nupcial veio errado, ele pediu que a advogada falasse uma coisa e ela falou outra, esperando que eu nao percebesse, estava mesmo querendo proteger o cliente dela. Eu mandei de volta pra ela consertar e disse a ela que baixasse a bola porque eu nao fui comprada na internet nao. Voce veja bem, ele NAO PEDIU que ela o protegesse, eu tava la na hora, ela decidiu ser sacana por ela mesma.
      Eh triste, mas acontece toda hora. E voce acha que a coisa toda ta contra voce.
      Desculpa ai o comentario longo e exaltado, mas esse assunto me tira mesmo do serio.

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    2. Mari, eu nao sei onde a Camila mora, mas pela minha experiencia voce nao se expressou mal nao. A esposa latina/asiatica eh um sonho de consumo pro americano-filho-da-puta cansado de mulher independente e/ou mandona. Essas meninas se submetem a tudo sem saber falar a lingua, nao tem voz pra pedir que alguem faca uma traducao do documento que assinam pra casar, nao sabem nem o que e um contrato pre-nupcial. Cozinham, passam, lavam, limpam a casa do cara, criam os filhos deles porque foram educadas pra isso. Nao eh gente do mato nao, eh gente da cidade mesmo. Os caras, eles existem em qualquer lugar, mas aqui eh dificil encontrar uma assim, pra deitar e rolar. E a mulher latina ainda eh criada pra ser boa esposa, mesmo que essa ideia nos embrulhe o estomago, ainda eh verdade.
      Uma que eu conheco, anos depois, veio a saber que tudo a que ela tinha direito era uma passagem de volta pro Brasil.
      Outra amiga minha tem tres filhos com o cabra, nunca trabalhou, foi tentar se divorciar e a advogada disse a ela que ela ficaria com uma mao na frente e outra atras e esses tres filhos pra criar. Ela tomou um pavor de separar que nao faz sentido, aqui quem fica pobre eh o cara porque ele tem que dar percentagem de acordo com o numero de filhos, mas ela nao foi bem orientada.
      A coisa eh feia, bem feia mesmo. Meu contrato nupcial veio errado, ele pediu que a advogada falasse uma coisa e ela falou outra, esperando que eu nao percebesse, estava mesmo querendo proteger o cliente dela. Eu mandei de volta pra ela consertar e disse a ela que baixasse a bola porque eu nao fui comprada na internet nao. Voce veja bem, ele NAO PEDIU que ela o protegesse, eu tava la na hora, ela decidiu ser sacana por ela mesma.
      Eh triste, mas acontece toda hora.
      Desculpa ai o comentario longo e exaltado, mas esse assunto me tira mesmo do serio.

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  4. Mas tu ta certa. Em qualquer lugar tem os caras para deitar e rolar.

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  5. Caminhante, sua bonita! Brigada aí.

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  6. Mari, amei o post e vou adorar saber que a moça ficou tua amiga e vai passar a ganhar uns conselhos. ;)

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  7. É, amiga, pior seria se pior fosse. Ao menos, ela tem boca para ir a Roma, né?! Espero que com sua chegada para dar aquele empurrãozinho, ela saia ganhando... alguma coisa que seja.

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  8. Bacana esse depoimento, e lá se vai a ilusão de muitas mulheres. Pena que ainda algumas acreditem que a felicidade está no outro,que o casamento é a solução, e os caras, claro só podem aproveitar. É aquela história que ainda as mulheres acreditam em encontrar a "cara metade", e não tem metade, a mulher é inteira.
    Excelente.
    Abraços

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