segunda-feira, 24 de outubro de 2011

One man's true story...

O nome dele era Pulú e ele contava causos do Barreiro Vermelho e vizinhança. Dizia que aprendera a ler na folha da bananeira. Pegava um graveto e ia cantando as letras. As vezes chegava uma visita letrada e era honra pedir a lição. Aprendeu mais na cartilha usada. Apagava o exercicio do carderno e reutilizava. Dormia em uma bandinha de couro. Era um luxo na época ter cavalo selado e uma bandinha de couro. Viviam da agricultura. O pai escolheu dois dos quatros filhos para enviar a escola na cidade. Ele não foi um dos escolhidos. Disseram que ele era rudo. E ele ficou ali, no cabo da enxada. Nos grotões de Goiás, tangendo os bichos fazenda na Alegre, campeando o gado no Cansanção. Corria para a mãe para fugir das surras do pai. Rezava a ladainha no tempo da Lapinha. Varava noites olhando as estrelas enquanto tangia os animais na moagem de cana. Não dava ouvidos a mãe e estoporava o rosto brincando ao lado dos fornos de secar farinha. Para ir a cidade mais próxima, esperava a jardineira horas a fio. As vezes fazia a viagem a cavalo. Comprava café, levava arroz para tirar a casca na máquina, sabonete e pasta de dente fazia parte da lista de luxos.Quando se fez homem, passou a tomar um trago de cachaça com jurubeba e mascar fumo de corda. Um dia conquistou uma moça. Usou todo o seu charme. Montava um cavalo baio, usava o chapéu derreado. Fizeram familia. Tentaram dar aos filhos uma vida melhor. E conseguiram. Nada de bandinha de couro. Nada de aprender a ler na folha de bananeira. Todos foram enviados ao ginásio na cidade.

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