terça-feira, 26 de abril de 2011

A minha, a sua, a nossa bisavó

Tem coisa mais divertida do que uma bisavó que só escuta o que lhe é conveniente? Poizé, Ethan tem um bisa desse modelo. Conta a lenda, que a mãe dela foi uma mulher wild ( palavras da bisa), que casou, trocou o marido por um amante, voltou grávida da irmã dela e o marido assumiu a paternidade. O amante pertencia a povo Cherokee. Isso tudo antes da crise de 29. Pense na cabecinha da galera. Bisa conta a história envergonhada e eu torço para que a parte do sangue índio seja real. Ela fez de tudo para não se espelhar na história da mãe. É conservadora e muito orgulhosa de ser americana branca. E minha sogra fez de tudo para não se espelhar no style da bisa.

Eu tenho uma estratégia para enfrentar o desconforto de ser estrangeira. Uso a carta 'das diferenças culturais' o tempo todo. As vezes, fico sem paciência com a ignorancia, mas procuro responder as perguntas sobre o modo de viver do brasileiro da maneira mais simples possível. Pensei que o meu jeitão iria repelir a bisa. Pelo contrário, ela sente uma fascinação pelo que eu tenho a dizer.

Ela é uma velhinha jukie, uma mulher que foi trabalhada para ser esposa, que com a viuvez se viu livre para gastar os tubos comprando tranqueira e que, aparentemente, isso a faz feliz. Nossos mundos são tão distantes que, ela é do tipo que acha que a comida que vem em latas é mais saudavel do que a comida feita em casa. Na cabeça dela a comida feita em casa tem mais risco de contaminação. Para a geração dela não é importante saber a receita para a massa de pancakes. A massa já vem pronta. É só adicinar algo e por no forno que o alien cresce e vira pão.

Eu não sei como nós temos algo para conversar pois, eu sempre vejo as coisas pelo viés do comida e civilização ( Eu tento ser esnobe, Brasew!). E o que vai no prato da velhinha me assusta. E quando eu conto como alimentamos nossos bêbês, ela fica assombrada. Fez-se um silêncio incrivel a mesa quando eu descrevi bem ao estilo 'nós brasileiras somos todas Pietás'a amamentação em público no Brasil. Ela conta que foi a Paris com o marido quando jovens e que os franceses trataram eles mal. Eu pergunto a data da viagem, finjo que fiz as contas e falo para ela as razões históricas do porquê os americanos são persona non grata em boa parte do mundo. E ela ainda não me odeia! No almoço da Páscoa, ela estava contando que ao noivar, o futuro marido desfolhou um rosário das coisas que jamais faria em casa. 'Não lavo, não passo e não enxugo'. Não me contive e tasquei - 'E a senhora ainda casou com ele, bisa?! Muita coragem, viu...'

Continuamos amigas.


UPDATE -
Estava postando e lembrei do puxãozinho de orelha ( bem dado!) que levei da Iara. Aqui. =D

9 comentários:

  1. Ter bisa é sempre mto divertido. Eu lembro da minha tão bem quanto das minhas avós. Isa ainda tem uma bisa, mãe da minha mãe, que é tb uma peça rara e ultraconservadora. Velhinha mais que interessante essa americana. Adoraria conhecê-la! Bjos mil pra vcs!

    ResponderExcluir
  2. Não pude conviver com minha bisa, mas em compensação vivo com minha avó desde que nasci. Vou te dizer uma coisa, é difícil...ela tá bem velhinha mas a "cabeça" antiga não muda. É bem parecida com a bisa estadunidense, só muda o pensamento em relação à comida. hehe Pra ela a mulher tem que ser submissa ao homem. Quando comecei a fazer faculdade tive que ouvir que era luxo e eu não poderia fazer. Eu deveria casar e ponto!

    Bjinhoss

    ResponderExcluir
  3. Mas essa última (ainda casou com ele?) não é pra cortar relações e sim pra ficar fã!

    ResponderExcluir
  4. kkkkkkkk,
    a bisa é demais! Ela é conservadora por isso deve ter achado que o marido só estava valorizando o trabalho dela.
    bjs
    Jussara

    ResponderExcluir
  5. Caminhante, eu quase emendei um ' não namoro em pé! ' junto com a sentença dita pelo marido dela. Aí seria o fim da amizade!ahahahahaha!

    Bruna, minha avó paterna dizia assim 'eu sou do tempo do 'carrancismo' (pega o dicionário de baianês), mas vocês moças de hoje tem chances. Não vão precisar de marido...' - quer dizer, depende de como ela mulher foi criada, foi construida. Né.

    Bjs, suas lindas!

    ResponderExcluir
  6. ai, meu deus, acho tao tenso essas relacoes entre mulheres nas familias quando elas nao tem o mesmo pensamento. minha ex-sogra é um amor, eu a venero, a amo, mas ela eh muito religiosa e meu ex dizia que ela realmente acreditava que o homem eh que deve comandar o lar. entao a gente nunca conversou sobre essas coisas, ela me respeita, nunca se meteu na minha forma de pensar e agir entao... nao teria porque eu fazer isso com ela. a paz sempre reinou, apesar da gente ser absolutamente diferente. mas que bom que tu nao deixa as coisas presas na garganta hahaha aplaudo gente que sabe dizer as coisas na hora certa!

    ResponderExcluir
  7. Eu tenho 32 anos e os meus tios e tias ainda reproduzem essas ideias da bisa aí. A minha mãe também, vamos, mas deixou de falar publicamente depois das muitas reações contrárias.

    O mundo de hj deve ser um lugar meio assustador pra Bisa, coitada...rss

    ResponderExcluir
  8. Mari, minha filhota tem bisa, 90 anos. Toma chimarrão todos os dias, come churrasco, já foi a Europa, brinca com eles (a unica bisneta e os netos ainda de 1 ano a 37). Aposentada da cozinha, cumpriu um trato comigo, o de me ensinar a massa de macarrão em troca de uma bisneta.
    Eu vou querer ser avó, mas bisa já é demais.
    Bjks!

    ResponderExcluir
  9. Eu comecei oitocentos comentários aqui mas todos ficavam enormes. Vou escrever um post sobre minha bisa e te mando tá? Beijíssimos e grata pelo papo hoje ;-)

    ResponderExcluir