terça-feira, 30 de novembro de 2010

Partidas e Chegadas




A Borboleta me enviou um selo. Já disse por aí que I'm little old-fashioned e fico muito feliz quando meu blog recebe coisas carinhosas como os selinhos. O selo Partidas e Chegadas foi feito sob medida para gente como eu.


Partidas e chegadas... O que faz você feliz?, tem estas regras:
1 - Copie e cole o selinho na sua postagem;
2 - Conte o que lhe faz feliz, entre partidas e chegadas, simples assim!;
3 - Conte quem lhe presenteou, se possível adicionando o link para o blog;
4 - Indique 5 blogs para receberem o carinho e avise-os, para que eles possam continuar a brincadeira.
5 - Volte aqui e avise que já está participando, nesse mesmo post.


Fatalmente eu não irei seguir as regras ao pé da letra mas vou fazer o possível para não subverter tanto a ordem. =D


Desde criança que eu vivo entre partidas e chegadas. Por um busca de melhor qualidade de ensino me despedi da família e fui morar em Brasília. Contava os dias para as férias. Tinha uma saudade avassaladora de meus avós. Trazia uma caixa cheia de cartas que minha irmã me enviava. Uma por semana. Contando banalidades que eu já sabia pois tinha falado com eles por telefone. Lembro da primeira vez que meu pai fez uma surpresa me visitando na escola. Eu não parava de falar tentando mostrar a minha nova rotina para ele. A adaptação a escola foi razoável. Claro que meu sotaque ficou evidente e alguém quis saber de onde eu vinha. A bobinha da professora disse um 'ela é do Norte'. Claro que eu a corriji. Eu não atravessei riacho seco para presenciar confusões sobre geografia. Quando me mudei para Goiânia já estava escolada em fazer malas, encaixotar livros, ir a bota-foras (ainda tem esse nome?). Para pagar a lingua, me mudei de uma cidade planejada para outra. Eu detestava cidades planejadas. Ainda gosto da bagunça de cidades como o Recife mas Goiânia tem meu coração. Nela fiz os amigos que carregarei para sempre. Esse é a única certeza que tenho. Quando conheci meu marido estava passando férias lá no interior. Quantas vezes a gente se encontrou no meio do caminho. Quantas vezes a gente se despediu no meio do caminho entre Goiânia e Luis Eduardo Magalhães - BA. Uma vez ele dirigiu 9 horas para passar 1 dia comigo. Os amigos riram dele. Os amigos não estavam entendendo nada. Ele vinha aos EUA regularmente para visitar a família. Eu o esperava no aeroporto. Ficava colada no vidro tentando advinhar as siluetas por entre o amontoado de gente em volta da esteira. Quando nos casamos eu sabia que um grande partida ia acontecer. Eu teria que mudar de país. Eu adiei pensar nisso por quase 2 anos. Até então eu já tinha parado de chorar nas despedidas. Chorei muito quando fui embora de Goiânia. Quando a data da mudança se aproximava, minha mãe subitamente se hospedou na minha casa. Ela começou a se despedir umas duas semanas antes. Naquela época eu não percebi o que estava acontecendo. Ela nos acompanhou até o aeroporto. Um amigo que deu uma carona a ela disse que ela chorou convulsivamente no carro. Ela não quis dificultar as coisas chorando comigo na minha frente. Não é do feitio dela. Eu escolhi assim. Escolhi viver ansiosa para rever minha família e amigos. Mas eu sou tão ansiosa que até um encontro no Skipe me deixa quicando pela sala. Eu sou pragmática, ou metódica ou chata mesmo e, isso tem contribuido para facilitar as partidas e chegadas. Eu me controlo pois não posso viver morrendo de saudades a cada embarque. Eu faço lista dos lugares que quero visitar. Todos os lugares envolvem comida, claro. Ou bebida. Rever esses lugares me deixa com a sensação de que o mundo ainda está em equilibrio. Mesmo que o caos a volta tente provar o contrário. Mas o que me deixa feliz mesmo é quando um amigo diz que vai me apresentar um lugar fantástico na minha próxima visita. Porque aí nasce a certeza de que eu vou voltar.




Quero enviar esse selo a Bruna e a Keyla mas as amigas que sempre comentam neste blog e quiserem contar o que as deixam felizes nas partidas e chegadas, fiquem a vontade.


***

10 comentários:

  1. Mari, eu sabia, sabia, sabia, que seria um lindo post mas nunca, nunquinha ia imaginar que ia ser tão tocante assim. Puxa, fico entre a completa inveja (minha alma é cigana e bandoleira e por mim eu passava a vida de aeroporto em aeroporto e de rodoviária em rodoviária) e uma grande saudade solidária de tudo que a gente tem que deixar quando parte, né? faz parte da dor e da delícia das escolhas. Beijos carinhosos
    Luciana

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  2. Lindo! lindo! lindo! Vivi cada detalhezinho seu, e te digo: corajosa!
    Beijos!

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  3. Hum, adoro histórias assim, cheias de aventuras rumo ao que virá, ao que virá. Claro que alguém pode viver uma vida inteira no mesmo lugar e isso não necessariamente significa estagnação. Mas essas andanças todas, ah... tão bom. Mundo tão grande chamando, né?

    Bj!

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  4. Mari, as vezes a gente nao sabe muito bem porque fica lendo um determinado blog com frequencia, dai um post vem e pimba! Nos duas, menina, e uma garrafa de vinho, varariamos a madrugada. Pena, muita pena de nao morar perto de voce.

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  5. Passo todos os dias aqui, mas hoje resolvi deixar um recadinho... adorei seu post... quem vive essas "saudades" sabe bem direitinho o que você quer passar...

    Meus sentimentos quanto a partidas e chegadas é mais ou menos como diz nessa letra da música Encontros e Despedidas

    "Tem gente que chega pra ficar
    Tem gente que vai pra nunca mais
    Tem gente que vem e quer voltar
    Tem gente que vai e quer ficar
    Tem gente que veio só olhar
    Tem gente a sorrir e a chorar

    E assim, chegar e partir
    São só dois lados
    Da mesma viagem
    O trem que chega
    É o mesmo trem da partida
    A hora do encontro
    É também despedida"

    Um dia eu saberei me segurar quando se tratar de despedidas, porque hoje em dia chora na chegada e na partida...kkkkk

    Beijos Mari

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  6. Gentee que lindo :) Adorei esse post!
    Tava aqui na net de bobeira e pensei em ler algo que me faria bem...cliquei direto no link do seu blog, e olha com o que encontro!
    Fico encantada com os seus detalhes, vc faz tão bem!
    Obrigada por me enviar o selo! :)
    Bjinhosss

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  7. Imediatamente lembrei da música que a Silvia postou (acho essa música tocante). E seu post foi muito lindo! Muito mesmo... Beijo

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  8. Mulheres maravilhosas, obrigada pelos comentarios. Rita, eu lembrei do filme As Pontes de Madison onde a filha da personagem principal dizia 'que tinha ido para Paris para viver emoções que ela achava que só no exterior ela vivenciaria' enquanto que tudo que ela queria ter vivido estava bem ali numa cidadezinha minusculo dos EUA. Definitivamente viver no mesmo lugar uma vida toda não descarta viver uma vida de aventuras.

    Borboleta, que bom que você gostou e obrigada mais uma vez.

    Carla, que diacho essa distancia, né? Você é muito carinhosa.

    Bruna, escreva, escreva, escreva que quero ler.

    Ronise, obrigada pela visita.

    Silvia, que surpresa boa. A música é tudo. Bjkas

    Bia, obrigadinha! *muah procê!

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  9. Olha como sou ingrata, recebi o selo e nem aqui passei para agradecer. Muito obrigada!
    Como você viu meu post demorou, mas saiu.
    Tenho que concordar com os comentários acima, muito lindo seu post. Bj!

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