domingo, 12 de setembro de 2010

Do racismo aqui e lá

Você sabe o que é incomodar por causa da cor de sua pele ou da textura de seu cabelo? Essa menina aqui sabe e quase sempre ela escreve sobre o assunto. Ela não esconde a textura real do cabelo. Ela escancara o cabelo afro (nem sei se esse termo ainda está sendo usado e bem usado) e adorna com lenços, presilhas e outros zilhões de enfeites. Ela faz assim porquê ela se nega a esconder que ela é negra - Essa é uma das razões mas a gente pode listar outras - Então, ela passa a ser um incomodo para muito racistas que não entendem de como ela pode se orgulhar 'daquele cabelo e daquelas roupas' e não passa a ser escrava de chapinha e de alisantes mal cheirosos. Porque os racistas até aceitam um negro ou negra quando eles 'sabem o lugar deles' e quando eles disfarçam a negritude com cosméticos e cirurgias.


Aqui nos EUA eu vejo a meninas e mulheres negras sendo escravas da chapinha e de alisantes. Quero esclarecer que o racismo aqui existe na mesma proporção do que existe no Brasil. A diferença é que os negros fazem questão de ter a história deles bem demarcada e não socializa com os brancos. A sociedade americana é bem dividida neste aspecto para o bem ou para o mal. Brancos confraternizam com brancos os e negros confraternizam com negros. E dizem, os mexicanos são os novos negros. Daí, que vejo Mrs. Obama e as filhas todas usando o cabelo chapado. E isso é um reflexo sabe, dessa tentativa de 'suavizar' traços e esconder detalhes que podem incomodar. E incomodam! Lola escreveu aqui sobre racismo na novela das 8 e incomodou tanta gente que não 'vê racismo na novela, na propaganda, no dia a dia e que racismo tá nos olhos de quem vê' blá, blá, blá. Argumentos tão canalhas e tão furados.

Eu faço sociologia de boteco o tempo todo. Na minha última viagem a um paraíso tropical vi americanas negras entrar na piscina ou no mar e não molhar o cabelo. Cabelo esse todo construido em penteados ou com chapinha. Tinha uma menina de mais ou menos 10 anos de idade toda feliz se jogando na água com o cabelo livre leve e solto. Qual será o modelo dela? Quando ela vai começar a se esconder por trás de uma chapinha?

3 comentários:

  1. O que eu sei é que aqui no Brasil liso é sinônimo de "arrumar". Cansei de ouvir "nem arrumou o cabelo" ou seja, não foi ao salão, não fez escova, etc. Ou então: "cabelo desarrumado mata a roupa", sinônimo de "você pode até usar uma roupa bonita que com esse cabelo pixaim nunca vai parecer bonita".

    É um fardo enorme crescer se sentindo assim. E eu até me emociono com essa maneira que você usou pra me descrever, porque não é fácil.

    Não sei como as coisas funcionam nos EUA e me ressinto um pouco de que a Michelle Obama alise o cabelo, embora desconheça a questão ideológica por detras. Por outro lado, eu me solidarizo com gente que alisa o cabelo e evito demais julgar porque, falando pessoalmente, é doloroso estar nessa posição que eu escolhi. Então eu entendo que só quer viver sua vidinha sem muitos poréns.

    Eu sou apontada na rua. Pessoas se benzem quando eu passo e etc. Não é nenhum passeio no parque não.

    Ando me furtando a discussões "isso é racismo?" porque eu tenho muita preguiça dos argumentos canalhas, como você os chamou.

    Beijos

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  2. Tem... linda.
    No Brasil tem racismo, sim.
    A gente vê todo dia.

    A minha avó é a pessoa mais racista que eu já conheci. Por consequência o meu pai também é racista e me disse certa vez que minha mãe (que de racista não tem nada!) não poderia tê-lo magoado tanto ao trocá-lo por um negro! Eu puxei a minha mãe. Graças a Deus.
    : )

    Um beijo pra você, querida!
    E outro pra Dani!

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  3. Oi, Daniela! Você simplesmente tocou no ponto fundamental que eu não consegui colocar no meu texto que é o lance do racista tentar fazer parecer que algo está fora do lugar ao se referir ao cabelo afro. (ou penteados etc). Eles usam muita a palavra dessarrumado do mesmo modo que os gordofobicos de plantão usam a palavra 'saúde' para tentar por na cabeça da pessoa gorda que ela tem de 'se cuidar, que é questão de saude' e que ela tem de ser magra.

    Eu te descrevi assim porquê te vejo assim e é a forma mais bela que consegui 'te ver' e falar de ti. Um beijo!

    Oi, mocinha da Pol. Que pena vc ter crescido num ambiente assim. Tem coisa mais degradante do que o racismo? É horrivel, né?
    Eu coloquei o link do post da Lola (só clicar aí na palavra em amarelinho) porquê a gente estava discutindo racismo na tv e as questões levantadas estão interessantissimas. Vale a pena ler para entender um pouquinho de como o Brasil tem a maior população negra fora da Africa e sofre dessa doença que é o racismo. A minha mãe é preta casada com branco e felizmente não nos ensinaram a ser racistas lá em casa. Fomos perceber esse monstro quando crescemos. Eu sempre penso que ninguém nasce racista...é ensinado a ser um..bjim e muito obrigada pela visita.

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