quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tentando falar de gênero e outras cositas ...

Eu passei o final de semana acampando. Os primeiros dois dias fiquei eu e família assistindo o marido correr de moto no campeonato anual intitulado de Red Bud.

Eu fiquei particularmente encantada com a competição de moto com meninos e meninas entre 8 e 10 anos de idade. E teve uma campeã. E eu morri de amores por ela. Fiz várias fotos como toda boa fã. E ela vestia um uniforme rosa para correr e eu nem liguei. Mesmo porque ta mais que provado que meninas usarem rosa e lerem as histórias das princesas lerdas da Disney não causa mal nenhum. Porque o que vai contar no final é aquele povo que faz parte de vida da menina em casa, em familia.

São as coisas e pessoas que ela vai estar rodeada é que vão moldá-la pois, somos uma construção social, lembra? Isso e a idéia da Tina Lopes para um post me fizeram refletir sobre uma palavra que acho feíssima - emulação. Emular significa copiar um comportamento. Você vê uma menina empurrando um carrinho de bêbê com uma boneca dentro e taí, ela tá copiando um comportamento dado pela sociedade como 'feminino'. Ou você já viu menino empurrando carrinho de bonecas por aí e ninando bêbês no faz de conta? Eu não acredito que simular o comportamento da mãe, pai ou idolo seja danoso para uma criança. As vezes eu penso que a criança deveria decidir se quer ou não empurrar carrinhos de bêbês ou de compras de mercado ou ainda fazer o barulhinho do motor do carro ao empurrar um brinquedo pela mesa do jantar.

No último aniversário de meu filho me questionaram o que ele queria ganhar de presente. Eu disse que estava formando a biblioteca dele, mas ninguém considerou a idéia mesmo porque criança ganhar só livro deve ser um tédio. Presentearam Ethan com muitos carros, motos e máquinário da John Deere pois, pai, avô e umas duas gerações para trás trabalharam ou trabalham com a marca e são aficcionados. Parece que cabe a mim e a tia artista plástica rodeá-lo de arte, livros e algum boneco que não saia atirando por aí. No environment do meu marido e amigos não existe um medão de que menino brincando de bonecas vai ser no futuro afeminado e se for, isso não vai ser um grande bafão. Se morássemos no Brasil a única coisa que eu iria fazer o tempo todo seria curtir com alguns familiares que morrem de medo d@ filh@o ser gay. É tão bom brincar com o medo de gente preconceituosa as vezes.

Coloco aqui a foto da minha campeã correndo e outra dela observando outra bateria de corrida.




Minha mana Maristela me enviou email falando sobre a menina acima. Acho que ela compartilha o mesmo sentimento que eu: se tivessemos tido a infancia dela seríamos motoristas melhores?

8 comentários:

  1. Invejo a menininha! E que linda ela é. Adorei o post. Também não vejo problema na emulação, além do que, ela é inevitável - leio relatos desesperados de mães modernas que pegam suas filhas ninando bonecas de lego. E veja q eu, mãe babona, nunca na vidinha infantil brinquei de mamãe-filhinha. Enfim. Só queria mesmo que tivessem me deixado jogar futebol. =***

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  2. Também acho que as pessoas polemizam muito em cima de coisas que deveriam ser encaradas como natural. Tenho uma sobrinha de 3 anos que é a propria penelope charmosa e adora maquiagem, sapato alto, esmalte. Ela faz a farra. Tenho um sobrinho de 4 anos que adora carrinhos mas tambem gosta de brincar com as coisas de menina da mae dele. O pai dele fica enlouquecido, mas é bobagem, ele só está exercendo o seu direito ao lúdico. Qual a regra? Pra que regra?

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  3. Isto me faz lembrar da ultima viagem em que meu filho falou para a amiguinha que gostava das cores rosa e roxa. A amiguinha da mesma idade (5), simplesmente respondeu que ele nao pode gostar destas cores, pois sao cores de menina. Meu filho ficou super bravo, e disse que brinca e usa as cores que ele quiser. E olha que ele nem estava vestido de rosa, so estavam desenhando. Imagina se ele aparece por la de camiseta rosa, a menina tera um ataque.

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  4. Então, eu acho que criaça tem que brincar de tudo. A menina que eu cuidava lá na França brincava de tudo, e isso nem era uma questão de engajamento dos pais, sabe? Ela não brincava de maquiagem porque ela nem conhecia isso, a mãe nem era de se enfeitar muito. Mas tinha bonecas, panelinhas e Lego. E roupinhas de todas as cores incluindo muito rosa. No Natal que eu passei com eles, ela quis a fantasia de princesa Disney de presente. Mas chegando na loja, achou a do Rei Arthur, com a espada, mais bacana. E ok. E eu acho que tem que ser assim, sabe? Tá brincando, tá descobrindo o mundo, tem que experimentar tudo. Da panelinha à espada.

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  5. Eu fui tomboy la na decada de 80 no interior. Parece que meus pais nao viveram essa paranoia das cores determinando o que eh de menina e o que eh de menino.

    Keyla, sera' onde que a menina aprendeu esse discurso ai? Alguma pista? ;)

    Ja vi conhecida (que eu nao mereco ser amiga deste tipo de gente) incitando o filho a bater no coleguinha para nao parecer 'maricas'. Mas a gente ve tanta coisa absurda, neh? Essa gente e' tao cafona e perde tempo e energia separando o mundo em rosa e azul.

    bjks, meninas!

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  6. Mari, pode ate parecer ' irreal ' o q vou dizer, mas eu ja vi menino empurrando carrinho de boneca, sim. E pasme...vi aqui nos EUA e la pela Europa. Adorei ver q o menino estava com o pai e q ele n esbocava nenhuma cara feia pelo fato do filho estar, literalmente, empurrando um carrinho de boneca. Nunca tive frescura c isso! Portanto, se a Ana ganhar uns carrinhos, nao vou botar cara feia, nao. Alias, ela eh q qm ja escolhe os brinquedos com os quais quer brincar. A proposito...ela nao eh fa de boneca e nem de bichinho de pelucia! Hahahahahahaha. Mas, os livros...jeez...daqui a pouco eu passo a viver numa biblioteca!

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  7. Elis, não me parece irreal nem um pouco o fato citado por você. Pelo contrário, minhas sobrinhas tem carros e motinhas e não são rosinha não, são de todas as cores. Meu menino idem - tem brinquedos de pelúcia rosa, inclusive. O que eu tentei reforçar no post, além de obviamente falar de genêro e emulação, foi a idéia de como comportamentos dados como feminino e masculino acabam afetando de tal forma a vida de pais, mães e as crianças que a maioria passa a traçar as escolhas até de um simples brinquedos por detalhes que não faz o menor sentido- as cores, por exemplo. Pois o quesito cor e 'isso é de menino e isso ´é de menino' nem deveria ser levado em consideração quando um individuo tá escolhendo uma roupa ou brinquedo. Dividir o mundo em rosa e azul é uma jogada espertissima do mercado e foi uma idéia tão bem vendida que pais que vivem num mundo menos repressor tem de convencer seus filhos que , oh, é normal o papai usar uma camisa rosa.

    bjks

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  8. Parabéns pelo post. A gente ainda não atingiu a libertação ideal de valores quanto ao gênero, é verdade, mas, muito já conseguimos.
    Hoje a mulher tem direitos e deveres iguais aos dos homens que muitas mulheres também padecem dos mesmos males, a quantidade de mulheres sofrendo de problemas cardíacos que eram típos de homens aumentou consideramvelmente.
    Ainda gosto que meu marido me traga flores, que abra a porta para mim, mas agradeço quando ele me dá espaço para que eu possa me realizar profissionalmente, e ser eu mesma.
    A cozinha que era ocupada somente por mim e minha mãe, hoje também tem meus filhos rapazes minha filha, genro e marido.
    Ter comprometimento familiar é muito importante para os membros dessa família saber superar diferenças, sejam de gênero ou afetivas.
    Beijocas.

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