terça-feira, 13 de julho de 2010

Aconteceu assim...

Um comentarista, o David, me perguntou se meu marido lia meu blog pois, segundo ele, eu tenho um percepção positiva (eu acho) sobre os EUA. Sim, ele lê isso aqui e não é de hoje que ele sabe o que penso sobre esse país da América do Norte.
Eu conheci meu sr. Biddle no Brasil quando ele gerenciava uma fazenda de algodão no nordeste baiano. Alí nos arredores de Luis Eduardo Magalhães. Como ele estavam lá na época várias familias estadunidenses lavourando. Hoje o número aumentou. Eu estava de férias no município de minha cidade natal quando uma amiga me apresentou o amigo brasileiro de marido. Ele me falou que estava esperando o gringo descer a serra para tomar um cerveja. Quando ele chegou eu o chamei para sentar. Falei alto e claro em inglês. O único inglês que eu sabia. Horroroso. Acho que ele pensou que estava livre de mimicar a noite toda com o pessoal pois 'alguém alí falava inglês.' Mais errado impossível. Mas a gente descer para o forró e ele dançou comigo. Forró. Era 14 de Janeiro de 2005 e ele estava no BR desde meados de 2003. Deu para aprender a dançar forró (um dois para lá, dois para cá básico) mas o português ainda era um tortura. Ele me convidou para pular o carnaval de Barreiras com ele. Eu fui contar para minha mãe e começou o papo - cuidado com esses estrangeiros. Tem muita gente ruim que leva escravas sexuais para o exterior. Pode ser quadrilha..etc Não é uma coisa linda de se ouvir mas a preocupação de minha familia faz todo sentido.

Daí que pulamos carnaval, conheci o resto do clã e passei a ir regularmente a minha cidade para vê-lo. Cronometramos nossas agendas e viajavamos 9 horas de carro para nos ver. As vezes no encontrávamos no meio do caminho - Brasília. Ele fazia planos e eu ficava bem plantada com os pés no chão. Quando ele começou a fazer planos para voltar aos EUA definitivamente levando minha esposinha brasileira, eu caí na real e comecei a panicar. Porque se não tiver pânico e drama, não sou eu!Na hora eu pensava - Ops, ser brasileira passou a ser meu capital de troca antropologicamente falando. Ironia.

Em 2006 passamos a morar juntos e a arrumar a papelada para o casamento. Optei por casar no interior pois fui orientada por uma amigaadvogadaecasadacomestrangeiro que uma certa juiza de paz de uma certa capital do Brasil faltava pedir provas da consumação das relações fisicas do casal para aprovar um casamento entre brasileir@ e estrangeiro no Brasil. Dei entrada no cartório onde fui registrada e tudo correu baianamente bem demais. O primeiro choque do Clint foi saber que eu só me casaria com ele porque precisava da documentação para viver nos EUA senão jamais casaria. Viveríamos juntos e tava tudo bem para mim. Ele sonhava em casar na praia com uma grande festa. Eu sonhava só com a festa. Programei uma festona no interior e comprei uma roupinha que de branco não tinha nada. Fiz uma entrada triunfal para assinar os papéis ao som de Orion do Metallica. Foi o segundo choque de marido. Foi choque nada. Ele já sabia quem eu era. Ele me chama de El Diablo por não ter religião. No dia do casamento ele estava todo preocupadinho com o que o pai e a mãe iriam pensar de não ter bolo, véu e grinalda e uma noiva virgem. Just kidding. Minha sogra dançou e se divertiu horrores. Era a terceira vez dela no país e o fato de eu ser da pá virada não preocupou ela em nenhum momento.

Então eu casei no BR em 25 de Maio de 2007. Meu filho nasceu em 23 de Junho de 2008. Agora moro aqui no rancho fundo. That's it!

6 comentários:

  1. Adorei a historinha de amor, Mari...hehehe. Quando eu ainda namorava meu marido minha chefe me disse que tivesse cuidado porque os homens americanos batiam nas mulheres quando bebiam. Isso vindo de uma mulher brasileira parece piada, diga ai?
    Coleguinha, eu tambem nao teria casado se nao fosse a imigracao, odeio obrigacao...hahaha! Mas eu sou da pa virada que nem voce.

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  2. Serio? Sua chefe mora em que 'mundo'? Hihihi!

    Tadinha...

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  3. Adorei também, amiga. Agora que tal fazer um login no twitter, hein? Tá faltando você por lá. Adiciona eu: @tina_lopes

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  4. Mari, ela morava no planeta "nunca aconteceu comigo entao nao acontece com ninguem", sabe onde e' isso? Eu nunca fui la.
    E' por essas e outras que eu nao tenho respeito pelo grosso da classe media-alta brasileira. Vivem num mundinho paralelo sem se dar conta do que ha em volta.

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  5. Uma graça a historia de voces. Meu marido tambem le meu blog e é meu maior incentivador. Quando nos conhecemos os amigos dele acharam que ele era louco porque eu podia fazer parte uma quadrilha de brasileiras que aplicava o Boa noite cinderela em estrangeiros e meus amigos aqui achavam que ele podia ser um psicopata daqueles que amarram as vitimas no porao e esquartejam o corpo depois. Sao muitos estereotipos de todos os lados, mas eu discordo da sua amiga Carla. Acho que a classe media-alta de qualquer pais no mundo vive num mundinho paralelo e alheia ao que acontece fora da realidade delas, nao é so a brasileira nao, feliz ou infelizmente. Beijo

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  6. Tina, twitaremos!

    Carla, eu conheco essa parcela ai da classe media brasileira infelizmente. Claro que nao conheco outras realidades no mundo para poder comparar mas sei como funciona aqui no meu canto e posso afirmar que a classe media brasileira eh burra e pensa que eh rica. Vivem no planeta do faz de conta e no vamos ver nao tem poder algum. A espirito de comunidade aqui onde moro esta' a anos luz do que vejo la no Brasil. :(

    Eliane, minha familia e amigos se preocuparam muito quando comecei a sair com Clint. O fato de um deles trabalhar com Estudos da Violencia e ter um mapa de como anda o comercio de pessoas (leia-se mulheres e criancas) no mundo, levou eles a ficar de olho e procurar dar um Google no cara. Eles fariam o mesmo se fosse um brasileiro.

    Parece piada mas ele morou desde 2003 no BR mas quando o conheci o portugues que ele falava era de lascar e ele ficava todo ressentido porque os amigos John e Ryan aprenderam a lingua com mais facilidade. Tadinho.

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