sexta-feira, 5 de março de 2010

Deixando a suitcase de lado

Aconteceu a algum tempo atrás.

Eu comecei a pensar mais sobre isso de uma mulher ganhar menos que um homem trabalhando na mesma função que o colega portador de um pênis e , ainda gastar o que não tem com maquiagem, roupas, acessórios e tratamentos de beleza. Não faz sentido, né? Outro fator que influenciou minha decisão veio da enxurrada de propagandas que tentam vender de tudo para a mulher. Tudo mesmo! E os publicitários se achando o máximo e ganhando prêmios para criar problemas onde eles não existem e vender, vender, vender - a propaganda da Carefree só faltava o slogan 'use Carefree senão tua vagina vai feder, fia!'

Claro que esses questionamentos não nasceram em mim ontem. Eu entrei o ano de 2010 fazendo listas mentais das coisas que eu deveria mudar para priorizar minha felicidade. Partir para a lista do que tava me deixando infeliz foi um pulo. Me deixa infeliz sim gastar os tubos com produto para meu cabelo. Sendo que meu cabelo nem precisa de dengo. Ele é facim, facim. Minhas amigas passaram a se referir a minha bolsa de mão como suitcase devido ao peso da bolsa cheinha de maquiagem e trecos de beleza. A coisa chegou num nível de a criatura ter de comprar 6 pincéis para aplicar a maquiagem. A L'Oreal lançou uma base que se aplica com um rolinho. Nunca a expressão rebocar a cara fez tanto sentido. Nas minhas últimas férias no Brasil, eu ganhei um tal de Higicalcinhas. Sim, eu preciso de uma sabão especial para lavar minhas calcinhas. Não, eles aindam não criaram o Higicuecas pois, homens são privilegiados e suas cuecas idem.

Aí vem essa eterna pressão para a mulher ser jovem para sempre, bela para sempre - sei nem o que determina beleza e feiura -, enfeite para sempre, ovulante e saltitante para sempre e dá-lhes novos produtos que supostamente trarão a cura para todos os problemas no corpo e rosto das mulheres. Aí ficamos mais pobres comprandos essas bugingangas. E ficamos mais burras gastando energia e dinheiro em artigos de beleza e não em livros, simpósios, carreira, viagens e filmes.

Enquanto eu enlouquecia comprando maquiagem nas militrezentas lojas daqui, sabe o que marido fazia? Se divertia, meu amor! Sem medo de espinha, sem a preocupação do cabelo estar com frizz, sem ódio do calor que tá derretendo o maquiagem. Os homens vão muito bem, obrigada, e sem sofrer pressão nenhuma para se cuidar. Olha que tosquice sem sentido é a expressão tenho de me cuidar! Putz!

Ludmila ta fazendo um exercício assim de desapego destas vaidades e eu tô adorando acompanhar o cotidiano dela no blog. Ela é uma inspiração.

O que é engraçado é que se tratando de maquiagem, vou levar pelo menos 1 ano para usar tudo que acumulei. Não posso jogar no lixo, não posso doar para amigas e irmãs pois todas estão no BR e eu volto lá daqui um tempo. Será que continuo usando até acabar?

Mas tem coisas que já to fazendo e que me faz tão bem: cremes para rugas? Só os baratinhos. Luzes nos cabelos no valor de 150 dolares? Não faço mais, coloquei um tonalizante e voltei a cor original. Secador? Aposentado. Difusor? Aposentado. As 2 necessaire de make up? Descançando no quarto até eu dar um rumo a elas. Se eu vou voltar a usar maquiagem - o que inclui prime, base, corretivo, máscara para cilios, blush, gloss, lápis de olho, sombra iluminadora, sombra disso e daquilo...? Não sei. Só sei que do jeito que tá agora, tá ótimo.

Para uma amiga espantada com minha decisão, eu afirmei que continuaria me depilando, passando um creme corporal para não esfarelar no frio e fazendo a sobrancelha. Aí ela respirou aliviada pois a princípio ela confundiu meus trens tudo com falta de higiene. Ahaha!

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