sexta-feira, 22 de julho de 2016

Felicidade pequenina

Um esquilo tentou alcançar o comedouro dos passarinhos. Tentar uma dieta a base de alpiste. Do galho da arvore, pulou direto sobre uns dos comedouros. Se escangalhou no chão e o comedouro ficou em mil pedaços.

Os passarinhos ciscam a comida e derrubam metade no chão. O marido diz que vai desistir de de por comida para eles. Os dias são úmidos e abafados. Os bichinhos dão rasantes nos bebedouros. Coloquei uma bacia de agua para eles. Um dos bebedouros que comprei, fofinho, não segura muita agua. Serve apenas para enfeite nas fotos.

Fiz uma limpeza no armário. Doei as panelas. Eu tenho essa gastura de pensar que ficarei igual aos americanos. Garagens que não guardam carros. Guardam entulhos. Ninguém precisa daquele monte de panelas. Frigideiras gigantes em uma casa de três pessoas. Eu quero panelinhas. Eu quero fazer e comer porções pequenas. 


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E ai, voce ja fez 41 anos de idade hoje? 




Foi tudo low profile no meu aniversario. Let's face it! Estou cercada de eleitores do coiso. Eu nao vou comemorar meu aniversario com esse tipo de gente. Detalhe: Eles nao votam. They are to posh to vote! 


Das coisas que quero.
Que Ethan não brinque com minhas estatuas de Iansã e Oxum, dizendo que elas sao action figures. 




domingo, 17 de julho de 2016

Buses Brazil

Tomamos o ônibus nas nossas varias viagens entre Aparecida e Goiânia . O menino quis saber porque as pessoas usavam as bolsas na frente, rente ao peito, protegida por uma das mãos. Não tinha necessidade de eu explicar. Um dia ele descobre. Vamos apenas, por hora, passear pela cidade e passar pelos demais terminais de ônibus. 

No centro, conhecemos o seu Roberto. Era meio-dia, minha maquiagem não tinha sobrevivido ao suor, ao calor, a Goiânia no inverno. Aquela cidade planejada, boring, inspirada (?) nos jardins franceses, sem árvores, sem jardins, concreto puro. Seu Roberto, um motorista da Rmtc, cumprimentava a todos que entravam no ônibus. Bom-dia e Seja Bem-Vinda! Eu fiz fotos dele. Eu quase fiz um podcast com ele. Obrigada, seu Roberto. 



Fiz fotos do povo nos ônibus. Os pés bem tratados. Talvez não bem tratados porém , manicurados. Apesar de sofridos. Apesar do transporte coletivo horroroso. 

Nao tenho fetiche por pés, mas os americanos não se aprontam assim. Nem aqueles que nunca pisaram em ônibus na vida. 








O meu companheirinho andou de moto com minhas irmãs e cunhados. Eu andei de moto com minhas irmãs. Na garupa, com elas gritando que eu sou uma vergonha por não saber fechar nem o capacete. As humilhações de sempre. 





terça-feira, 12 de julho de 2016

Férias e fotos

Voltei da férias. Todos os clichês sobre as férias  cá estão comigo. Só falta eu escrever uma redação sobre as minhas ferias.

Foi bom e cansativo. Foi uma maratona para ver todos e todas. Fui muito mimada e ganhei mimos. Ethan não saiu das piscinas. Fez amigos apesar de estar usando a camiseta do Vila Nova. Chorou ao se despedir do filho da minha prima e da filha da minha amiga. Tudo no mesmo dia. Segundo ele, foi um dia difícil.

Eu saí da minha bolhinha virtual e entrei na bolhinha da vida real. Nos dias que passei no Brasil, só me relacionei com pessoas parecidas comigo. Aquela mesma linha de pensamento. Fiquei protegida, não me estressei mas não teve discussão (debate). Zygmunt Bauman morreu um pouquinho.

Andei de ônibus incontáveis vezes. A cidade tem um transporte público  vergonhoso. Está entupida de carros. Quase todo carro tem um adesivo religioso. Os neo pentecostais não brincam em serviço. Querem ganhar o Brasil para Jesus. Dizem. As igrejas gritam que estão muito bem, obrigada. Enquanto isso, tias, primas e amigos lecionam.

Ethan tem um novo favorito. Coxinha. Ele deu o nome de chicken balls. Experimentou coxinha de frango com catupiry. Picolé de umbu, buriti, pequi. Eu gosto de todos os pratos amargos. Guariroba, por exemplo. Levei uma amiga para conhecer o Mercado Municipal. Eu quero que o mundo saiba que o mercado Mercado Municipal de Goiania é tão importante quanto o Ver O Peso de Belém e o Pike Place Fish Market em Seattle. Sonhemos. Fumo de rolo, empadão goiano, cachaça, baru.

As pessoas pareciam bem. Nos ônibus fiz fotos dos pés. Dos calçados. Pés manicurados. Cuidados para não se sujarem no pó vermelho das ruas sem calçamento. É preciso chegar a cidade com os pés limpos.

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E uma foto com meu padrinho Zé Rangel:
















segunda-feira, 27 de junho de 2016

Gyn

Dear Goianos, dentro de minhas prioridades não estão fazer arroz soltinho e passar roupas. 

Brasil 2016. Três irmãs de sangue. Várias irmãs do coração. A gente troca roupas, batons, combina viagens. Duas mães. E se uma tem ciúmes da outra, são discretas. 

O trânsito horrível. A incapacidade de viver sem carro. A incapacidade de educar sem bater.

Retratos e "a vida passando no Instagram" -Marina W.

E Glória Maria Damasceno. Ah, a juventude. O sotaque das Alagoas.


Ethan. Blue-ish. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Lerdeza

Loser. Lerda. Me sinto assim quando vejo que perdi a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Perdi a oportunidade de ir ao vizinho Canada e ver as meninas jogarem. Desta vez, perdi a oportunidade de assistir a Copa America Centenario, aqui, nos EUA. Teve e vai ter jogos, da Copa America, no Soldier Field. Em Chicago. Sou lerdinha e nao posso negar.

Este é último jogo da temporada para este menino. 
Foto feita com iPhone 6. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nunca sorri

A cidade que  nunca sorri existe e fica descendo a serra. Muito longe. As pessoas que lá vivem tem a tez manchada e a expressão carrancuda. Eles não tem motivos para sorrir. Quem conseguiu fugir da cidade que nunca sorri, faz questão de esquecer de onde veio. Eles criam uma outra identidade e negam até a morte que vieram da cidade que nunca sorri.

A cidade que nunca sorri nunca foi bem cuidada. Nem mal cuidada. A cidade pertence a ninguém. Nem desprezo merece. A cidade não tem prefeito, não tem luz de hidrelétrica, não tem quintais onde crianças brincam de roda. Tem cachorros magros e cheios de ferida e gatos. Todos abandonados.

A cidade violenta. Nela, um homem velho tombou no meio da praça. Uma faca enfiada no peito. Nela, uma mulher fora estuprada entre o cemitério e a estrada de terra. Na quebrada do inferno. Nela, uma senhora cega abriu a porta e um facão lhe cortara toda. Nela, dois bêbados moribundos encharcaram a terra com sangue. Sangue seus. Nela, adultos e meninos não sabem brincar. Não sabem empinar pipa nem jogar futebol de meia. Os professores, da única escola, tem saudades da palmatória. Eles ensinam o que vem a ser a palmatória. Eles se deleitam. Eles não conheceram outra coisa senão a palmatória.

Mulheres prenhas morrem, o ventre aberto, no sol inclemente que tece a cidade que nunca sorri. Homens de bem estupram meninas. As meninas limpam as casas dos homens de bem. Banham seus filhos. Faz sopa para seus filhos. As esposas odeiam essas meninas. Dizem que elas são salientes. So pensam em saliências, enquanto se esfolam limpando casa alheia e aguentando beliscões dos patrões.

Sorrir nesta cidade significa mostrar os dentes. Só um desavisado mostraria os dentes por lá. Ou os maiorais donos de fazenda. Os maiorais sorriem em outras plagas. A cidade que nunca sorri não merece o riso dos maiorais. A cidade merece o pó seco que chega da serra. O pó, carregado de veneno, que os maiorais jogam em suas fazendas.

Um dia, para alivio de todos, a cidade que nunca sorri desaparecerá.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

8 anos

Celebrados antecipadamente. 

O carinho de quem fez esse embrulho: 
Dentro da caixa veio argila de modelar, pincéis para tinta acrílicas, pincéis do tipo crayons, pirulitos e biscoitos ( artista também tem fome), um livro e livro doodle.


Cartões e cartinhas.

Oito anos de um garoto sensacional.