terça-feira, 24 de maio de 2016

Só acontece no Brasil

Nessa minha vidinha de EUA, la se vão oito anos a serem completados em Agosto, estudei, fiz bicos, arranjei trabalho na minha area. Fiz um pouquinho de cada coisa. Continuo na batalha. Ano passado comecei a lecionar sociologia em um desses community college. Os community colleges oferecem cursos de dois anos de duração e apronta o candidato a uma vaga na universidade regular tal qual as existentes no Brasil.

Eu fiquei bem feliz de lecionar um assunto que adoro, em um community college que possui oito campus, e para estudantes de todos os backgrounds. Diversity matters. Entre dirigir quase uma hora e meia até o trabalho e pagar pedágio, paguei para trabalhar mas ganhei experiencia. Foi esse o meu foco o tempo todo enfrentando transito nas highways. Ganhar experiencia e trabalhar em universidades perto de casa e que nao me contrate somente como adjunto. Acredito muito que fiz a coisa certa.

Um community college ou até uma universidade que possua oito campus é uma monstruosidade e penso que administrar nao seja bolinho. A pessoa supostamente headchair do departamento de ciencias sociais ficou com o encargo de me treinar. Coisa que ela nao fez porem, eu nao sou crua de um tudo e tenho amigos que lecionam aqui e que formaram comigo. Eles me passaram até power point das aulas deles pra eu me familiarizar até onde eu poderia ir com a turma. A suposta head do departamento fez baguncinhas do começo ao fim. Enviou email pra geral por engano. Amateur. Dentre essas baguncinhas, está o fato de que continuo funcionaria do meu empregador mesmo não trabalhando lá a mais ou menos quatro meses. Eu descobri isso por acaso quando recebi correspondência do fundo de pensão da escola. Entrei em contato com o empregador e fui informada de que tenho de envia-los uma resignation letter. Carta de resignação? Eu ri e não sei se deixo rolar ou processo eles.

Esse tipinho de administrador incompetente possui um emprego. Isso so acontece no Brasil. Ops...


domingo, 22 de maio de 2016

Ladeiras

Eu tenho  postado fotos, não muitas, da minha rotina de exercícios físicos no Instagram. Tenho feito vários videos e enviados para minha irmã. Os videos são de exercícios catados daqui e dali do Pilates e os clássicos como push ups. As fotos também são para ela. Depois de estar perdendo uma batalha por mais de um ano e meio, ela começou uma reeducacao alimentar e a fazer caminhadas. Parece pouco mais eh o tempo dela. Espero que os videos, nossas conversas diárias, as fotos a faça ficar mais segura e não desanime. 

Quem vê eu contando pensa que me tornei malhadora. Eu ando por trinta minutos na esteira. Faço de conta que estou subindo as ladeiras do Pelô ou de Olinda. A esteira no modo subindo ladeiras. Eis o que eu dou conta de fazer. Eu não gosto de malhar mas não estou infeliz pensando que estou perdendo tempo na esteira. Essa fase ja passou. No mais, eu engulo o choro e tento aumentar minha carga de exercícios. Se eu chorar, Carla Cristina, musa fitness,  me bate. 


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Um filme sobre aborto

Eu tenho três irmãs. Uma das minhas irmãs se parece muitíssimo com a atriz Jennifer Grey. Até o cabelo fininho, com cachos pequenos, armado. Minha irmã tem olhos esverdeados. Jennifer Grey tem olhos cor de mel. Acho que é a única diferença.

Eu revejo Dirty Dancing - Ritmo Quente tanto que meu filho vai pensar que esse eh meu filme preferido. Acho que gabarito qualquer trivia sobre o filme. E sobre os bastidores. 

Os seios naturais. Sem sutiã. Ja fomos muito mais legais. Linda. 






quinta-feira, 19 de maio de 2016

Não passará

Quando o racismo se manifesta. Quando a falta de disposição para ler, assistir, ouvir sobre a historia do Outro. De outros. Eu peguei o seriado Empire para assistir com marido. Temos encaixado um filme por semana entre a House of Cards. Decidi adicionar o seriado Empire mesmo sem termos tempo para mofarmos, deliciosamente, no sofá.

Acontece que Clint perguntou o plot do seriado enquanto passava a abertura. Aparece os atores e seus respectivos nomes. O maravilhoso Terrence Howard é o protagonista. Todos negros e sobre uma industria milionária criada por negros. E ai marido lasca que quer ver House of Cards instead.

Eu mando calar a boca e apreciar. O primeiro episódio nem tinha começado mas quando ele viu o cast na abertura...São negros. Todos negros. Portanto esse historia não vai me interessar. Não vi e não gostei. Ele não gosta de hip hop. Nem eu. Se sente incomodado com o vernáculo desenvolvido pelos negros e negros nesses anos e anos de um país chamado Estados Unidos. Eu amo sotaque do deep South. E daí que não faz diferença os meus gostos. O seriado não é sobre mim ou sobre meu marido.

Esse tipo de racismo, entendeu? De um cara branco e privilegiado resmungar que não entende o que o cara negro está falando. Que não entende o que a Beyonce está  cantando.

O seriado é muito bom. Eu torci para que fosse bom. Aquela tentativa besta de jogar na cara do meu marido que ele não queria dar uma chance para uma historia que não era sobre ele. Sobre o povo dele. Sobre o povo da cor do povo dele. O seriado nem precisava ser bom. Eu apenas queria que fosse magnifico para dizer -- Ta vendo ai o que você ia perder? Se fosse ruim e feito por e para brancos não haveria necessidade de justificar.

Americanos pensam em raça o tempo todo. Ela pauta tudo aqui. Eles pensam sobre raça mas não discutem raça.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

Central do Textão



Eu não lembro exatamente quando eu comecei a ler blogs. Talvez por volta de 2001. Por ai. De uns tempos para cá blogar parece ter caído em desuso. Diluiu-se no apelo de outras redes sociais. Alguns viraram livros. Outros resistem.

Tina Lopes pensou o Central do Textão. Um blog que reuniria todos os blogs. O Central nasceu hoje. Eu estou la. Muita gente que absolutamente adoro está lá. Gente de finíssimo trato.

Venha ver!
It is like 1999 out there!

domingo, 15 de maio de 2016

Segundo dia bem doente. Vamos chamar a doença gripe alergia a pólen produtos de limpeza de flu. I'm having the flu como se diz na América de cá. 

Sogra fez uma sopa maravilhosa. Carregou o menino para a casa dela. Eu coloquei açafrão e um pouco mais de alho na sopa. Morredeira neste corpinho não passará! 

Domingo passando na minha janela. Homens e mulheres em suas super bicicletas e super roupas, que devem ter até banheira de hidro embutida, passam pela minha janela. 

A minha rua é uma das poucas do county que possui uma colinazinha. Boa bicicleteiros. O Illinois é um platô. Sem curvas. Reto. Boring para alguns esportes radicais. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016



O governo Temer nasceu hoje. Dentre os ministros, todos homens, todos brancos, muito investigados na Lava Jato. O governo tem cheiro de naftalina. Os principais jornais americanos noticiam: O Ministério  de Temer é composto só e somente só por homens, brancos e heteros. Muitos jornais apontam a misoginia com qual a oposição atacou a presidenta Dilma. Os jornais europeus repercutem o obvio. O Brasil de Temer é retrocesso.

Estou falando isso pois, tem brasileiros que adoram opiniões dos gringos. 

"So the most corrupt got her out and themselves in. Poor Brazil. Now the vulture capitalists from the US will go in and spread money around to buy up whatever is gonna make money for them. "

Esse é o tom dos comentários na imprensa daqui.

A lista dos Ministerios que foram extinguidos me deixou com febre daquelas de dar calafrios. Estou com os olhos brilhando. Febril. As bolsas do MEC, o sistema de Cotas para ingressar na universidade publica, o FIES, o direito de protestar pelo roubo da merenda ( São Paulo do Alckim) sem que estudantes sejam aniquilados pela polícia . Esqueça tudo.

O direito de lecionar sobre gênero e sexualidade. Sobre políticas do corpo. Esqueça. Não vai ter.



Imagine ser professor de sociologia no Brasil a partir de hoje.