sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O presidente bookworm

No discurso de despendida, presidente Obama disse:

⁃"For white americans, it means acknowledging the effects of Jim Crow didn’t suddenly vanish in the '60s. (...) "Race remains a potent & often divisive force in our society... All of us have work to do."                              
 E sobre os imigrantes: 
⁃"Those Brown kids will represent a larger and larger share of America's workforce."
E ainda por cima, ele eh um leitor voraz.

Enquanto isso, temos um presidente eleito bocudo, cafona, burro, ignorante e violento.

Tacky is tacky! Não tem jeito. 



Chicago


Quando a gente da uma segunda chance para a Windy City, ela não decepciona.

A ordem é não desanimar.




Fotos de minha autoria. Sears Tower.

***
-She walks with a purpose.

Foi o melhor elogio dessa semana. 


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Misoginia


Sobre o chacina em Campinas, SP, que vitimou 10 pessoas, eu deixo essa thread catada no Twitter: 

Muito Hippie @Keshi

Vou deixar um recado pras mulheres que dizem não ser feministas:
Cada uma de nós vai ser SEMPRE a "vadia sem coração" da vida de alguém.

Pq na cabeça do misógino a "vadia" não é a mulher que tem o comportamento X ou Y, e sim a que não faz o que ele quer.

A partir do momento que vc nega alguma coisa, qualquer coisa, a um misógino, vc passa de "amor da vida" a "vadia desgraçada" em 0.1 segundo.

Então, MUITO CUIDADO na hora de relativizar o assassinato em massa de mulheres dizendo que o cara se sentiu oprimido pelo feminismo.

E levando em consideração a banalidade da misoginia eu não estou exagerando na hora de dizer que a próxima pode ser qualquer uma de nós.

Mas é muito importante que TODAS SAIBAMOS que, feministas ou não, somos TODAS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA MISÓGINA. E precisamos de luta.

EU ME RECUSO A ACREDITAR QUE TEM GENTE NAS MINHAS MENTIONS FALANDO QUE O ASSASSINO FOI _VÍTIMA_ DE ALIENAÇÃO PARENTAL.

UM PAIZÃO, REALMENTE, O DESGRAÇADO QUE INVADE UMA FESTA E MATA O FILHO DE 10 ANOS.
QUE FIGURA PATERNA FORMIDÁVEL.

QUASE NÃO TINHA MOTIVO PRA AFASTAR A CRIANÇA DE UM MISERÁVEL DESSES, IMAGINA SÓ, UM CARA CAPAZ DE MATAR 12 PESSOAS.

E o post do Jean:

"A CHACINA DE CAMPINAS, O MACHISMO E OS DISCURSOS DE ÓDIO 

  • Na noite de ano novo, em Campinas, Sidnei Rames de Araujo, tomado por um sentimento de ódio que especificamente só incide sobre as mulheres, assassinou brutalmente a sua ex-esposa, o próprio filho e mais 10 pessoas, além de si mesmo, porque não aceitava o fim do relacionamento. Ele executou a tiros toda a família que se reunira para celebrar a passagem de ano. Na carta, deixada por ele para explicar os "motivos" que teria, em vez de revelar as motivações pessoais do ato, Sidnei reproduziu uma série de discursos de ódio e intolerância presentes no debate político e nas redes sociais, em que a agenda política progressista, em defesa das mulheres e dos direitos humanos de minorias é questionada com "argumentos" toscos e com uma retórica que beira o fascismo. No texto, apenas a palavra "vadia" aparece 12 vezes, escrita reiteradamente nos poucos parágrafos da carta, inclusive substituindo o nome da Lei Maria da Penha, ironizada por ele.

  • O Brasil precisa de um debate social e uma mobilização política urgente, como já está acontecendo em outros países da região, para combater as causas dos feminicídios, um crime já tipificado no nosso código penal desde 2015. Não podemos seguir fazendo de conta, em cada novo caso, que se tratou apenas de alguém que, magicamente, teve essas ideias delirantes expressas numa carta. Não são casos isolados, mas um problema cultural grave, que se relaciona, também, com esses discursos socialmente aceitos e acabam em violência física, fazendo com que o Brasil seja campeão de violência cometida contra as mulheres — violência que é cometida inclusive na própria família ou por parceiros sexuais e afetivos.

    O que fazer quando as serpentes saem da casca do ovo, quando o discurso que sustenta seu crime aparece em artigos de sites apócrifos nunca investigados pelas pelas polícias (embora sejam evidentes os indícios de seus autores), quando esse discurso está na boca de alguns políticos ou de "analistas" ignorantes na TV e no rádio? Ninguém dessa gente deveria abrir a boca para se dizer chocada com essa chacina! Hipócritas! (+ nos comentários) (...)"

(Foto: Ato contra cultura do estupro no Rio - Tomaz Silvas/Agência Brasil)



domingo, 1 de janeiro de 2017

Por Glória Damasceno

Marissa me convidou para semear algumas palavras no Corpo Indisciplinado, de seios arrebitados. Não exatamente nestes termos, porque ela é um ogro de coração. Mas um ogro. Então, eu tô aqui de pantufas pro ar, no quarto visitas de sua casa, vulgo my bedroom, para lotar mais uma página do meu bloco de notas e enviar tudo prontinho para minha anfitriã. Horas passam, Mimosas são bebidas e nada de post. Welcome 2017!

No primeiro dia do ano de 2017: foca na sequencia.




E habemmus Mimosas no cafe da manha

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Existe vida além das pantufas? Se sim, duvido que seja tão amorzinho. Really? Really!

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Enquanto a galera do futuro já comemorava o Happy New Year, Marissa, Samira, Fatema e eu alimentávamos os Reis Leão que abrigamos. Cada, uma ninhada. 

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Samira faz jus à máxima #QuintalPaju: "A vida é a arte do encontro". 

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Aprendi um pouco a balançar o Saree, que não era Saree. 

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Polidance é vida! Me aguardem. 

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Nesta casa ninguém tem paciência pra meia noite. Nem fastio. A gente brinda/come antes, durante e no dia seguinte às 9h30 da manhã. Com neve ou sem neve. O negócio é gritar cheers pra foto/vida! 

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As três primeiras horas do novo ano foram dedicadas a algumas crises de riso, tais como: as frases indizíveis, que eu digo plus inoportunos; os apelidos toscos que a gente (eu de novo) coloca nos coleguinha (sic) em tempos da ensino secundario e nossa performance sob o comando de Joe Cocker. Impublicável. Sorry.

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Estamos "fondidos", diria Clint a few years ago

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"You Can Leave Your Hat On" é hino em nossas vidas. Pra sempre.

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beers e o vinho Ménage a Trois combustível. Pode encher o tanque, que a gente seca! Sangue de Cristo não é mais sangue. 

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Adoro a casa de Marissa. As árvores lá fora, o vento gelado, o fim de tarde, as minhas mãos mórbidas - uma das razões de existir forno neste lar, beer/wine, lar. E o esquilo que "conheci pessoalmente". As prateleiras customizadas com todos os livros que eu amaria ler e o talento de Ms. Christy e Mr. Simon. 

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Adoro Marisa Monte cantando todos os dias pra gente. E o fato de não precisar me trancar dentro de casa para estar segura. O perigo parece que vive far away daqui.

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As chaves caíram em desuso. E o barulho da vida agitada. 

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Também amo quando ela me chama de algo derivado do "demônio". Peste? Praga? Help me, Fri ("amiga" e não Friday)!

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Amo Mari. 

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Quem diria que eu seria a autora da lasanha de fim de ano? Master Chef Rangel faz escola, bicho!

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Me encanta a tranquilidade dos cômodos, quando Ethan não resolve enlouquecer um de nós. Ele tá naquela fase "trem descarrilhado"! Ninguém segura. Apesar dele não querer dormir comigo, I love esse serumaninho que insiste em me chamar de "Glorina". It's so funny

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No countryside é tudo acolhedor. As janelas. Todas as coisas que elas despertam em meus pensamentos. Sometimes eu penso demais. Eu falo demais em português, en Castellano e a little bit in English. Cada idioma no seu tempo.

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O combo Mr. BIddle, R., D., L., L., e Ethan é o tipo de coisa que não é coisa e a gente não compartilha. Mari compartilhou comigo. Isso diz muito sobre ela. 

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Toda vida eu quis ter uma pantufa. Conversando com a Renatinha, Maria como eu!, chegamos à conclusão de que ter uma pantufa em trópicos que "desuneram" o juízo de tanto calor, não rola. Então provavelmente por isso não garanti uma pros meus pés, apesar da Glorinha-menina querer muito uma. E acho que foi bom mesmo eu ter procrastinado esse momento. Minhas renas são presente de Mari, como o frio maravilhoso do Illinois, razão delas existirem. E fazerem todo, todo sentido.

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2017 começou bem. Minha fértil imaginação não alcançou tanto. 

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Thanks, amigues! Obrigada, Biddles. 

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All the words are ours.

Gloria Maria Damasceno 

Happy New Year!

Comecei o ano de 2017 de forma simples. No meus termos. Sem pressão de se arrumar e se pintar para o New Year's Eve. Apesar de eu ter me arrumado e me pintado. E eu quis assim. Eu tambem quis minhas amigas aqui em casa. Minhas duas amigas do coração. E a amiga brasileira. Teve champanhe -- prosecco -- e moqueca. E o marido la longe. E a mensagem do marido, a meia-noite, vinda de bem longe.

Mr. Biddle em Michigan











Eu espero pouco de 2017. Todo mundo, neh? O Temeroso no Brasil e o Cheetos aqui no Norte. Fasten your seatbelts; it is going to be a bumpy "2017". 

Meanwhile on Twitter: The incoming President wished a happy new year Saturday morning to all -- including his "many enemies."
    "Happy New Year to all, including to my many enemies and those who have fought me and lost so badly they just don't know what to do. Love," Trump tweeted. (source: CNN).










    O seu next president is a man child with disturbingly small hands and the vocabulary of a second grader! 

    PUTZ!





    sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

    Um árvore

    E' uma arvore de Natal bem engraçadinha. Nao tem um estilo. Tem enfeites de tudo quanto e' lugar. Nao e' dourada, nem prateada. Nao segue os tons verde e vermelho. Tem enfeites de feltro, vidro, madeira, plástico e aqueles que o menino fez desde que entrou para a escola. Ornamentos com os nomes de todas as minhas sobrinhas e meu sobrinho Daniel? Tem. Tem dois enfeites finos. Comprados em uma feira germânica em Chicago. E um anjo tão fofo, tão fofo. Um anjo com saia de baiana. Tem de um tudo. Dois copos do lugar em que eu estou trampando. Não e' porque e' do trampo. Trouxe pela lindeza.









    Pensamos em colocar ursinhos aos pés da arvore. Alguns na arvore. Ficou  bom. Nao tem Menino Jesus, nem Maria Santíssima, mas Iaia, eu sempre lembro deles e da senhora, viu? Os refugiados em Belem. Os presentes são somente para as crianças. Um presente para cada.

    Esse ano fiz cartões de Natal somente para os brasuquinhas. Budget. E' o que eu digo para todos daqui. Estou cortando uns gastos. Cortei os cartões de Natal -- plus selos. E' uma boa desculpa.


    O cartao ficou assim:

    Foi feito depois do resultado da eleição. Eu nunca pensei tanto num poema quanto pensei nesse. 





    domingo, 11 de dezembro de 2016

    E que tudo mais va para o inferno!


    Eu nunca gostei de você, Mrs. The One That Thinks Than 4G Network Stands for God-Guns-Gitmo-Glory. Desde o primeiro dia, na minha outra casa, quando você foi apresentada a mim. Você é rasa, burra, covarde. No dia de seu casamento os sinais do quanto você é detestável já estavam bem claros. Aquela parte em que o padre pergunta quem dava permissão para aquela mulher contrair matrimônio. Lembra? Seu pai te conduziu ao altar e entregou tua mão ao teu noivo dizendo que, sim, ele estava te entregando em matrimônio. Gross! A tradição, certo? Você ama a tradição. Foi tradicionalíssimo você chamar Tamir Rice, um garoto de 12 anos assassinado em um parque pela polícia, de thug. Você, branca escrotíssima, dizendo que o garoto estava no lugar errado, que se ele estivesse fazendo a coisa certa, ainda estaria vivo. E o tanto de outros e outras, pretos e pardos, que foram assassinados pela polícia e que você os chamou dos piores nomes nas redes sociais. Dava para sentir que você tinha e tem orgasmos ao mostrar a essa gente preta e morena onde é o lugar deles na sociedade americana. Que pena que você não pode xingar o presidente Obama com a N word. Você deve ter muitas saudades dessa "tradição". Eu ainda me impressiono com uma mula como você, que não sabe diferenciar It is de Its, tenha um emprego. Voce, que envia cartoes de Natal, em que o sobrenome de sua familia vem com apostrofo. Why so "possessive"? Como pode ter se formado na universidade? Eu sei que você fez um curso mixuruca em marketing but still...

    Eu tentei relevar o fato de você, Mrs. The One With Daddy Issues, se gabar de não ler um livro desde a escola secundária -- Pessoalmente, eu teria muita vergonha de perguntar a uma brasileira morando nos EUA, onde fica o Brasil -- Eu tentei relevar o fato de que tua ideia de moda é comprar bolsas falsas da Coach. Eu tentei relevar o fato de você ser casada com um trouxa pegajoso, detestá-lo e falar mal dele o tempo todo em nossas conversas. Mas daí você resolveu dar indiretas que se alguém não está feliz neste país, que vá embora. Embora para onde, sua idiota? Eu tenho dupla cidadania. Eu não vou embora para canto nenhum. E isso se chama privilégio. Eu conheço os meus. Mas não adianta explicar um conceito desses para uma acéfala como você. Viva tua vida miserável, com tua cara pixelada nas redes sociais e seu bronzeado artificial cor de cenoura, bem longe de mim. 

    Eu nunca gostei de você, Mrs. The One With Two Brain Cells.  Me disseram que você tem bom coração, que teu pai é extremamente racista. Mas não você. Somente teu pai. Aquele que, numa conversa em tua casa, me disse que os negros não são muito inteligentes. Aquele que, quando meu filho estava procurando o calção para entrar na piscina, ele berrou de lá que isso não deveria ser uma issue para o menino já que ele é brasileiro. Sempre com os comentários de duplo sentido. Sempre apontando o quão "sujos" e heaten são os brasileiros. Ou qualquer um que não seja anglo-saxão. No entanto, você é racista. Você tem funcionários imigrantes que são explorados lindamente. Mão de obra barata, né? Você não os olha na cara, apenas dá tuas ordens e abre o bocão, exaltada, que todos que vem aos EUA devem aprender inglês. Fale isso para uma abuela que mora em Chicago ou Nova Iorque. Fale! Eu quero ver você fazer esse tipo de comentário em um more diverse environment. Você não sabe inglês. Você é uma analfabeta funcional. Faça um curso de recursos humanos urgente. E pare de se referir aos teus funcionários com a palavra Beaners (os comedores de feijao). É racista, sabe? Assim como aquela palavrinha começada com N para se referir aos negros e Spics para se referir aos Latinos. Ou towel head para se referir aos Siks ou muçulmanos. Você não tem bom coração. Você é somente uma umbiguista cretina que só pensa em fazer filhos e que tem medo de que tua sobrinha seja lésbica por ela gostar de brincar com carrinhos. Você não tem bom coração. Você tem uma barriga explodindo com outro bebê dentro que te faz ficar mais insuportável do que já é, pois você, grávida, não pode encher a cara de cerveja. 

    Eu detesto todos vocês. Detesto tuas casas enormes e teus casamentos falidos. Detesto o quanto vocês são fixados em fazer filhos e tratá-los como um estorvo. Detesto principalmente você, Mrs. The One With The Greedy Face, que bate nos teus filhos tão pequeninos, tão frágeis. Eu soube esses dias que vocês têm uma nova estratégia para educar tuas crianças: vocês não as surram mais. Apenas, discretamente, as beliscam. Mas vocês devem saber o que estão fazendo, já que vocês seguem a bíblia. Fazem questão de alardear o quanto são  cristãos. É muito cristão surrar, bater, beliscar, humilhar e gritar o tempo todo com teus filhos. 

    Detesto você, Mrs. The One That Cannot Stop Flirting. Você se porta como garotinha quando vê um homem. Da gritinhos histéricos ao encontrar com gente da tua mesma fauna. Vocês que frequentam o mesmo salão de beleza. Usam o mesmo corte de cabelo. Os gremilins sem personalidade. Eu tomei o Martíni mais caro do mundo ao aceitar um convite para sair com vocês. O preço foi ouvir vocês comparando o tamanho do diamante de seus aneis de casamento. 

    Detesto todas vocês. Detesto aquelas que riram de mim e me chamaram de crazy lady quando eu falei sobre feminismo. Você que me chamou de hipócrita pois, feministas não usam maquiagem. Se uso maquiagem, logo eu não sou feminista. E eu fiquei tao paralisada diante da sua imbecilidade. Detesto vocês. Vocês policiaram meu corpo, meus gostos, meus gestos e desprezaram minha cultura. Vocês duvidaram que eu poderia usar o termo "latina" para me referir ao meu ethnic background pois, não falo "mexicano", certo? Ninguém melhor que vocês para me dizerem exatamente como eu devo me identificar! Vocês que me chamaram de kinky. Kinky por ter assistido e recomendado o filme "O Cisne Negro". Você disse na mesa que sempre soube que eu era kinky. God forbid alguem falar de sexo ou race relations perto de vocês. Você não sabe nada sobre mim. Vocês não sabem nem mesmo sobre vocês. Se olhem no espelho. America was never fucking great. Vocês idem! 

    Eu até tentei gostar de vocês. Aceitei teus convites insonsos. Tentei rir de tuas piadas sem graça. Cozinhei para vocês. Me preocupei em encontrar o presente certo para cada um de teus filhos. Lidei aqui e ali com a rudeza família de vocês. Com o desprezo, a falta de empatia. Tentei. Nao deu. Eu detesto todos voces.


    (Amiga amada, obrigada por me ouvir e me dar tips para que essa cronica acontecesse)