sexta-feira, 10 de junho de 2016

Lerdeza

Loser. Lerda. Me sinto assim quando vejo que perdi a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Perdi a oportunidade de ir ao vizinho Canada e ver as meninas jogarem. Desta vez, perdi a oportunidade de assistir a Copa America Centenario, aqui, nos EUA. Teve e vai ter jogos, da Copa America, no Soldier Field. Em Chicago. Sou lerdinha e nao posso negar.

Este é último jogo da temporada para este menino. 
Foto feita com iPhone 6. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nunca sorri

A cidade que  nunca sorri existe e fica descendo a serra. Muito longe. As pessoas que lá vivem tem a tez manchada e a expressão carrancuda. Eles não tem motivos para sorrir. Quem conseguiu fugir da cidade que nunca sorri, faz questão de esquecer de onde veio. Eles criam uma outra identidade e negam até a morte que vieram da cidade que nunca sorri.

A cidade que nunca sorri nunca foi bem cuidada. Nem mal cuidada. A cidade pertence a ninguém. Nem desprezo merece. A cidade não tem prefeito, não tem luz de hidrelétrica, não tem quintais onde crianças brincam de roda. Tem cachorros magros e cheios de ferida e gatos. Todos abandonados.

A cidade violenta. Nela, um homem velho tombou no meio da praça. Uma faca enfiada no peito. Nela, uma mulher fora estuprada entre o cemitério e a estrada de terra. Na quebrada do inferno. Nela, uma senhora cega abriu a porta e um facão lhe cortara toda. Nela, dois bêbados moribundos encharcaram a terra com sangue. Sangue seus. Nela, adultos e meninos não sabem brincar. Não sabem empinar pipa nem jogar futebol de meia. Os professores, da única escola, tem saudades da palmatória. Eles ensinam o que vem a ser a palmatória. Eles se deleitam. Eles não conheceram outra coisa senão a palmatória.

Mulheres prenhas morrem, o ventre aberto, no sol inclemente que tece a cidade que nunca sorri. Homens de bem estupram meninas. As meninas limpam as casas dos homens de bem. Banham seus filhos. Faz sopa para seus filhos. As esposas odeiam essas meninas. Dizem que elas são salientes. So pensam em saliências, enquanto se esfolam limpando casa alheia e aguentando beliscões dos patrões.

Sorrir nesta cidade significa mostrar os dentes. Só um desavisado mostraria os dentes por lá. Ou os maiorais donos de fazenda. Os maiorais sorriem em outras plagas. A cidade que nunca sorri não merece o riso dos maiorais. A cidade merece o pó seco que chega da serra. O pó, carregado de veneno, que os maiorais jogam em suas fazendas.

Um dia, para alivio de todos, a cidade que nunca sorri desaparecerá.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

8 anos

Celebrados antecipadamente. 

O carinho de quem fez esse embrulho: 
Dentro da caixa veio argila de modelar, pincéis para tinta acrílicas, pincéis do tipo crayons, pirulitos e biscoitos ( artista também tem fome), um livro e livro doodle.


Cartões e cartinhas.

Oito anos de um garoto sensacional.




sábado, 4 de junho de 2016

Casinha

Enquanto isso em Smallvile ...

 

Uma pessoa incrível morreu hoje. Eu estava insone navegando quando vi a notícia de madrugada. Chorei. 

Para meu filho contei porque essa pessoa é/foi tão importante. Voltamos ao passado. Vimos vídeos e mais vídeos. Tudo tão triste e ele chorou. 

- Sobre racismo? Eu não quero ouvir mais! 

Dói, mas é necessário.

Rest In Power

Muhammad Ali

- virá impávido que nem Muhammad Ali

"Um índio" - Caetano Veloso 





terça-feira, 31 de maio de 2016

Aqui e ali

Verão e ferias escolares. O menino vai para a terceira serie. Teremos piscina, sol, mosquitos e repelentes contra mosquitos e todos os clichês do verão. Lake Michigan. Escolhemos as leituras para nossa viagens. Escolherei roupas navy. Nautical? Tem coisa mais americana do que roupas estilo navy?


Elena Greco me catou bem antes de todo o boom sobre o livro. A pobreza a que os personagens vivenciam eu ja vi. Meninas paupérrimas espiando a televisão pela janela da casa da vizinha. A vizinha um pouquinho melhor de vida. Espiando a coleção de papeis de carta da filha da vizinha. Invejando as canetinhas com cheiro de tutti-fruti e framboesa. Alem da pobreza, a violencia. Homens horríveis em um ambiente onde a violencia é naturalizada. Pais, irmãos, amigos, espancando meninas e asmães  dessas meninas. Cotidianamente.


Eu so não quero ter de contar para voce, pela milionésima vez, que a culpa nunca é da vitima. Não quero olhar para sua cara e ver a zombaria com que você se refere a mim. A feminista. Você ja me chamou de revoltada também. Eu não quero ter de ir tao longe para te ouvir grasnar que sou histérica. Aqui eu ja tenho um pai preocupado. O filho gosta de rosa e da Minnie. O pai acha que o menininho de quatro anos tem algo errado e que é muito bom quando ele está com meu filho. Aparentemente, a cartela de cores da qual meu filho prefere é máscula. E a correta. A cor rosa deixa a masculinadade, fragilíssima, na berlinda. Trinta homens estupram uma moça, filmam e colocam na internet. O delegado é afastado do caso por total falta de decência para tratar com uma vitima de um crime horrendo. Not fit for the job! Machos imbecis em ternos mal cortados. Enfim, esse pai esta preocupado com os gostos do filho.





Os livros de Elena e o livro dentro dos livros de Elena. Little Women. 

domingo, 29 de maio de 2016

Warning ticket

Aconteceu. Eu fui parada pela polícia. O rapaz, muito gentil, disse que devido ao jeito que eu estava dirigindo, pensou que eu estivesse bebada.

Eu tinha acabado de pegar Ethan no futebol. Estava suada e feíssima, mas não bebada. 

Eu fiquei num estado " Clint vai caçoar tanto de mim!". Todo mundo vai caçoar. Quem é parada pela polícia por estar dirigindo abaixo da velocidade? O rapaz tentou me explicar porque isso é perigoso para o trânsito. Para quem transita. Eu entendo. Eu devo matar muita gente de raiva dirigindo devagar demais. 

Não fui multada. Só perdi o resto de dignidade.