segunda-feira, 28 de julho de 2014

Novelas não fazem o bem

Estou indo alí e dando um tempinho do Facebook e outras redes 'sensuais'. Isso não significa que estou indo ao Brasil, ver mãe, agora, agorinha. Tenho projetinhos para terminar e preciso de foco.

Mãe e eu chegamos a conclusão de que a pior novela do mundo i.e. tudo do Manoel Carlos, contribuiu com esse baque na saúde dela. Agora ela tá satisfeitinha com a novela Império. Eu também. A gente merece se jogar no sofá e ver uma novelinha boa -- e depois papear no telefone sobre Drica Moraes e cia.

Mãe é vaidosíssima. Quando ela reclama que tá desleixada e preciso de um salão, significa que ela tá bem. Que vai ficar tudo bem. Parece tão tosco mas esse é um dos sinais de que ela não está deprê. Que ela tá ativa, que a memória ta boa, que ela tem  planos.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Mãe

Ontem eu estive olhando para o teto. Olhando para o chão. Caçando o chão. Olhando para a tela do computador. Caçando palavras e explicacões. Minha mãe sofreu uma Ataque Isquemico Transitório. A cinco anos atras ela foi submetida a uma cirurgia na cabeça. As frequentes dores de cabeça era sintoma da pressão nos nervos trigemeos. Muita technicalities, eu sei. Fazendo a cirurgia, a pressão diminuíra e ela estava bem. Passados os cinco, eis o AIT que surge. Nao é uma novidade pra gente que ela seria surpreendida por rescaldos da pressão na cabeça.

Tem gente que mora longe como eu e tem planos para quando uma emergência acontecer lá do outro lado. Ontem eu estive pasando a limpo o meu plano. Comprar passagens, tais horas de voo até o Brasil, tempo de estrada até onde meus pais moram.

Mais eu preciso é me perguntar se eu tenho condições de ir. Como ficarei diante de uma crise? Vou atrapalhar mais do que ajudar?

Eu lembro bem pouco do que aconteceu comigo ontem, ao receber a noticia. Chorei muito. Meu rosto dói. Clint ligou para saber como eu estava. Nao sei o que disse a ele. Ele estava fora com Ethan e me enviou um video das estripulias do menino to cheer me up.

Eu tomei um banho. Lavei as lagrimas todas. Fiquei no sofá passando tudo a limpo novamente. Mais Gchat com a irma. Mais Skype. Tomei um calmate e um cha alucinógeno. Nao me lembro se sonhei.

domingo, 6 de julho de 2014

Pai

Pai me ligou para me contar que sentiu muita saudade de mim hoje. Uma saudade assim, tão forte, que ele teve de me ligar, panelas no fogo, só para ouvir minha voz. Ouvir sobre minhas coisas. Foi como se você tivesse aqui do meu lado. Foi como se eu tivesse fazendo uma panelada para você. Eu me vi falando sozinho, mas eu estava falando contigo. No meu sonho louco do meio da tarde eu estava falando contigo. Você estava aqui e eu fazia comida para você.

sábado, 21 de junho de 2014

da maledicencia

Para você e o seu recalque, a sua lingua-grande, aproveite que é tempo de Copa do Mundo, faça de conta que você está indo para o vestiário e não volte mais de lá. Por favor.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

E aí?

Eu ligo para minha mãe para lembrá-la de que, em um ano, ela terá filha de 40 anos de idade. Ela nunca esquecerá. Foram quase 20 horas em trabalho de parto, com mãe de pegação e tudo. Ontem chegou aqui uma toalha bordada por ela. Diz ela o bordado  é composto de 9 diferentes tipos de ponto. Agora ela vai me fazer um xale de marambaia em vermelho e preto. Vou me sentir a Frida.


Ethan estava no restaurante e perguntou ao garçon onde ficava o banheiro. No final, conta paga, prontos para ir embora, eu digo que irei ao banheiro também. Ele, treinado no "use o banheiro antes de entrar no carro", disse que também usaria o banheiro. Daí que ele entrou primeiro e eu entrei atrás, quando ele me alerta que aquele era o banheiro dos rapazes. Mostro a plaquinha na porta escrito ladies e ele percebe que usara o banheiro ''errado''. Pior, o garçon indicou a ele o banheiro errado. Todo trabalhado na baianidade, procurou o garçon e contou tudinho. Tudinho. Tipo, olha, I am a boy! I use the boys washroom! O garçon estático. Eu pedindo desculpas ao pobre. Talvez seria a hora de não ter plaquinhas em nenhuma porta.



*

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Copa do Mundo, objetificação dos jogadores e outras coisinhas - por Camila Magalhães




Camilia Magalhães explicando bem explicadinho.

''Sim, é verdade. Ao lado dos jogos da Copa do Mundo, outro esporte tem sido bastante praticado nas redes pelas mulheres (e pelas amigues gays também, claro): a objetificação dos jogadores. 

Já perdi a conta de quantos perfis no Twitter, tumblrs, páginas de Facebook, links da grande mídia ou simplesmente a objetificação moleque de uma amigue mandando imagens pra outra ou fazendo comentários no tuito e no fb anda rolando desde que, inaugurando a festa, Hulk entrou em campo.

A "umidade" em Manaus no jogo entre Inglaterra e Itália (proj. Helena Palmquist) as camisetas justinhas da Puma fazendo Forlan e Drogba ainda mais falados, e a tristeza em se despedir da beleza que é a seleção da Espanha (a seleção, porque o futebol...)

"Mas que diabos essas feministas que tanto brigam contra a objetificação dos corpos das mulheres acham que estão fazendo? Que incoerência! Quanta contradição e hipocrisia!"

Hum, não. Not really. Que esse desejo e essa liberdade em poder gostar e - assim poder dizer - de corpos e rostos e cores e cabelos e o que quer que seja nos homens, as mulheres ganharam não tem muito tempo. Que a liberdade em ter e mostrar esse desejo e mais ainda viver qualquer que seja esse desejo, essa as mulheres começaram a viver há algumas poucas décadas.

As mulheres não querem "virar o jogo". Não vamos vender cerveja com a bunda do Hulk. Não vamos colocar o Xavi Alonso ao lado de um modelo novo de BMW na feira do automóvel. Não vamos criar editoriais de moda simulando um estupro contra o Ochoa. Não vamos fazer rodar as fotos dos jogadores da Croácia flagrados nus, acompanhadas de qualquer tipo de comentário sobre a vida sexual dos moços (ou alguém viu algum "Vagabundo", "Puto", "Piranho", "Tá pedindo", nas fotos dos jogadores ou naquela foto do torcedor inglês que ficou nu no estádio em Manaus? Não, ninguém viu. Nem vai ver porque nenhum desses xingamentos sequer faz sentido no masculino. Pois é.)

Em cada notícia, mesmo nessas de "top não sei quantos dos mais lindos do futebol", os nomes desses jogadores, sua função e o time para o qual jogam continuarão aparecendo. Eles não terão apenas a bunda fotografada e postada com dizeres como "namorada de fulano", "gostosa da copa", "os bumbuns mais lindos da Copa", ocultando nomes e rostos, nesse "jornalismo" açougue que anda por aí todos os dias, basta clicar em qualquer portal ou site de notícias (abandonei de vez o nome "jornalismo punheteiro". Porque né, soa meio moralismo essa associação negativa que se faz da masturbação com esse tipo de atividade machista que é tão comum no jornalismo e mais ainda no jornalismo esportivo)

Não, não vamos passar a publicar fotos de Piqué com legendas como "Namorado de Shakira", como costuma ser a regra ao se noticiar sobre qualquer mulher que tenha algum dia passado perto de um famoso, até mesmo quando o tema da notícia é algo relacionado a ela e nada tenha a ver com o famoso. (apesar de que eu mesma acho a Shakira MUITO mais interessante que ele, em todos os aspectos).

Não haverá - nem há a menor chance de que possa haver - uma inversão que coloque os homens nessa posição invisibilizada e objetificada a partir dessas falas que tem circulado por aí - e que não são nenhuma novidade. Nesse contexto de uma sociedade machista, sabemos que isso não acontecerá e que mesmo o peso desse "desejo" feminino publicizado é outro: é mais fácil que qualquer mulher que o faça seja criticada por ser "fácil", "safada", "vagabunda", "é isso que mancha a imagem do Brasil lá fora"; do que ela venha a transformar o homem no objeto d(n)a história. É assim que o machismo joga um dos seus jogos mais famosos: a culpabilização da mulher.

Talvez seja, sim, incômodo que feministas usem da objetificação dos corpos masculinos. Não sei. Vez ou outra isso me incomoda também. Mas eu nem sei se, tirada a invisibilização, a despersonificação e o apagamento da identidade que vem associados com a objetificação das mulheres, podemos chamar isso que se tem feito por aí com os homens de objetificação.

[E, vamos combinar, nem Milton Leite hoje resistiu à barba de Xavi Alonso.]

(eu juro que tentei não fazer piada nesse post. Mas eu ri tanto nesse jogo de hoje que não resisti. E como SEI que vai ter gente fazendo piada com o fato de que estou aqui falando de homens na minha TL, ou me criticando por defender objetificação de homem, então melhor dar um OI pra Zuera, essa amigue querida)''


domingo, 15 de junho de 2014

Thanks!

Over. Desproporcional. Desregulada. Não cabendo em si. Como dizem por aí, foi um dia difícil para azinimigas.

- Mestrado em Sociologia. Turma 2014. DePaul University. Chicago.


* eu tenho tanta gente para agradecer. Lembro de todos que me ajudaram. Muito obrigada.