quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aquela que não ri

Ela tinha um olhar daquelas pessoas que já perdeu a conta do quanto foi traída. A face sombria, modorrenta, crua, triste e que sabia que a vida sempre seria assim. Desde os tempos de menina não soube o que era sorrir. Levava surras de cipó fedegoso, aquele que nunca se quebra. Vivia de casa em casa, tratada como rejeito, mas que a família tem de aturar. A vida dela não a pertencia, nem o corpo, nem o corpo esguio e os olhos tristes de menina maltratada. Nunca aprendera o que era estima. Carrega até o hoje a desconfiança em tudo que vive ou vê. Não crê em palavras de amor. A culpa católica e as ameaças de surras a fizera experimentar o amor tardiamente. Nunca é tarde para se entregar? É sim. Tem disso sim.

Hoje estava me perguntando o que faz essa mulher de história tão triste e tão comum levantar-se todas as manhãs.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Contei

Quem não pode com o pote, que não faça então a rodilha. O melhor ditado. O melhor dizer. O dizer dos antigos que está caindo como uma luva por aí, por aqui.


Mesmo sabendo que vai nevar na próxima semana, limpei as janelas. Fingi que já é primavera.


Ouvindo Otto em loop.

Meço 1 metro e 70 centimetros e até ontem pesava 57 kilos. Meu médico me mandou emagrecer. Se eu emagrecer não preciso operar da hérnia. Hérnia fruto daquela barriga imensa de gravidíssima. Emagrecer e fazer exercicios fisicos. Tudo que eu detesto.


Rita comprou aparelho de ginástica para usar em casa. Diz que irá contra todos os prognósticos e vai sim usar o aparelho. Aqui em casa tenho uma pessoazinha. Ela faz ginástica em casa. A ergométrica e o elíptico não tem chances de se tornarem cabides.

Tentei ler enquanto usava o elíptico. Fiquei tonta. Tentei ler e usar a esteira. Quase saí voando, catando cacos. Labirintite, velhice, preguiça.


Americana do interior da cidade grande me pergunta porque eu coloquei um disclaimer no meu Facebook, dizendo que só adiciono familia e amigos do Brasil. Quase disse que era para não me deparar com o racismo, a misoginia e a xenofobia dela e dos pares dela. Pessoa que tem medo de andar no trem com alguém  que usa turbante. Qualquer turbante. Pode ser que seja um Sikh. Ela tem medo. Mulheres e garotas usando véus, Khimar, Chador, Hijab, Shayla, Burka, Niqab. Ele tem medo. Os pares iguais a ela também também sentem medo. Exploram mão de obra de imigrantes sem documentos. Apóiam a construção de um muro  na froteira México-EUA.

Eu não preciso do seu like. Eu não preciso do seu curtir.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Pinpoints

Parei em um restaurante para pedir comida para levar para casa. Estacionei na área destinada a aqueles que encomendam via fone e só vão ao restaurante para pegar a dita cuja.
Peguei, paguei, retornei ao carro. A chave do carro não quis funcionar. Não era o meu carro. Êh, Bahia!

Minha amiga é asiática e mora no EUA a cerca de dois anos. Fomos ao restaurante e ela disse que queria aquela carne que Clint fizera naquele dia em que ela foi lá em casa e tal. Quando eu disse que a gente então deveria sair dali e ir a uma churrascaria brasileira, pois Clint tinha feito churrasco brasuca. Comemos salada e ela inconformada, repetindo - mas eu pensei que aquela carne era daqui, da América! Coisa de América!

Ethan os comunicou que vai se casar com Vívian e Isabelle. É mudar para Utah, eu espero.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Das saudades que não existem.

Três dias longe do bichinho. Minúsculo ficou com os avós. Foi ao cinema, comeu porcarias, passou por cima de proibições maternas. Rasgou o manual. Quando voltei da viagem, perguntei se ele tinha sentido saudades de mim. Ele disse que não, não sentira saudades de mim. Arrematou dizendo:

- Sorry, mom!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Por hoje é só.

A cidade joga na minha cara senhoras com seus casacos de peles e mãe e filha pedindo esmolas. Faz tanto frio que eu entro em uma lanchonete para poder tirar as luvas e encontrar uns trocados para a pedinte.

Dói delatar uma pessoa que faz plágio. Doeu mais em mim do que nela. Eu disse que queria que ela não fosse expulsa da universidade. A professora me olhou como se eu quisesse muitas coisas. Tenho muitos quereres com quem usa de ma fé. Foi isso que ela pensou. É só consciência. Só isso.

Vi a moça com com o pixie mais bonito.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Aging

Quando eu era uma menina, comentavam que eu tinha puxado os olhos com as pálpebras inchadinhas da minha avó materna. Era tão bom saber que eu tinha herdado algo daquela mulher que eu simplesmente adorava. Hoje minhas pálpebras estão se jogando, caindo por aí. Abandonei o gloss, adotei batons mate e avermelhados, e dizem, é melhor que eu pare de esfumar os olhos com sombras escuras. As pálpebras não se dão bem com sombras em tons escuros.

Tá chato brincar com meu rosto almos nos 40. Posso maquiar a Amanda Lourenço?


. Luci, me leva!!!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Nuvem negra

E quando o amigo está te dragando para a tristeza? Se vou a uma festa, o amigo acha que é o fim, que eu não devo sair com aquelas pessoas. Socializar para quê se eu posso ficar só e triste? Socializar para quê se eu posso fazer toda uma pose de que sou anti-social e, de certa forma, isso é muito legal? Deve ser muito legal mesmo achar uma merda que eu vá a uma festa de Ano Novo. Bom mesmo é espalhar por aí que eu sou o combo bipolar - depressiva - anti-social. Não pode sorrir, não pode ter motivos para brindar. Tem de sempre carregar um sombra negra nos ombros. Como é legal posar de infeliz. Miserable é a palavra que a pessoa mais usar para se definir.

Se não tem aí um diagnóstico de bipolaridade, deprê e afins, não conte comigo para ir na ondinha' minha vida é miserable'. Eu estou viva e eu tenho planos. Não quico pela sala, feliz o tempo todo, mas cortar meu barato para te fazer companhia? Não.